
Estão presentes no ar, na água, nos alimentos e até no corpo humano. Mas o destino dos microplásticos depois de serem ingeridos continua a levantar questões entre os cientistas.
Um estudo da Universidade de Guelph, em colaboração com a “Canadian Light Source”, utilizou uma técnica avançada de imagiologia para acompanhar o percurso destas partículas no organismo, sem necessidade de dissecar os tecidos.
A investigação foi realizada em minhocas, consideradas um modelo importante para estudar a contaminação dos solos, devido ao contacto permanente com partículas presentes no ambiente.
Os investigadores introduziram microplásticos de diferentes dimensões na alimentação destes animais e recorreram à microtomografia computorizada por sincrotrão para observar o seu percurso com elevada precisão.
Foram identificadas 2.779 partículas no sistema digestivo das minhocas, mas nenhuma foi detetada fora do trato digestivo.
Os resultados indicam que partículas com dimensões entre cinco e 53 micrómetros não atravessam facilmente a parede intestinal nem chegam a outros tecidos.
Embora os investigadores alertem que estas conclusões não podem ser aplicadas diretamente aos seres humanos, consideram que o estudo reforça o papel do sistema digestivo como barreira natural contra materiais que o organismo não consegue digerir.
A equipa acredita que esta tecnologia poderá contribuir para futuras investigações sobre o comportamento dos microplásticos no organismo humano e permitir uma avaliação mais rigorosa dos riscos que estas partículas representam para a saúde.



