Mais de 10 mil manifestam-se na Grécia contra custo de vida

Atenas, 21 out 2026 (Lusa) — Mais de 10 mil estudantes, alunos, professores e funcionários públicos manifestaram-se hoje em cidades gregas contra o elevado custo de vida e os problemas no ensino, evocando os protestos em França.

Cerca de 5.000 pessoas participaram na manifestação em Atenas e outras 3.000 em Salónica, no norte do país, segundo a polícia.

Em Patras, no oeste, mais de 3.000 pessoas participaram num protesto semelhante, de acordo com a televisão pública, ERT.

Alunos e professores do ensino secundário protestaram contra a falta de infraestruturas e de pessoal e as deficientes condições dos edifícios escolares.

Segundo a federação dos professores do ensino secundário Olme, faltam cerca de 15 mil docentes nas escolas gregas.

“O nível da educação é muito baixo, as escolas não têm pessoal suficiente e os edifícios escolares estão degradados”, afirmou Maria, funcionária municipal de cerca de 50 anos, durante a marcha em direção à Praça Syntagma, diante do Parlamento, em Atenas.

Os manifestantes estabeleceram paralelos com a vaga de protestos em França, marcada no último fim de semana por graves confrontos e pilhagens em várias cidades.

“Na Grécia, como em França, reivindicamos uma educação pública e gratuita”, afirmou Katia Koubousidou, representante dos estudantes de Filosofia e Pedagogia da Universidade Aristóteles de Salónica.

“Grécia e França, revolta por todo o lado, mesmos problemas, mesmo inimigo” e “Da Grécia à França, lutamos por uma educação pública e gratuita” foram algumas das mensagens exibidas em faixas na manifestação de Salónica.

Dezenas de estudantes instalaram tendas em Atenas e Salónica desde terça-feira, enquanto a confederação dos funcionários públicos Adedy aderiu hoje às manifestações e convocou uma paralisação.

A organização exige aumentos salariais e um reforço substancial do apoio aos professores, além de ter saudado as “manifestações massivas do povo e da juventude em França”.

Os manifestantes denunciam também problemas de segurança nos estabelecimentos de ensino.

Um aluno de 14 anos ficou recentemente ferido após a queda de parte do revestimento do teto numa sala de aula em Thermi, perto de Salónica, enquanto uma grande escola secundária de Atenas está encerrada há duas semanas devido a um alerta relacionado com uma fuga de gás.

A Grécia destinou à educação 3,3% do produto interno bruto (PIB) em 2023, contra uma média de 4,7% na União Europeia (UE), segundo o Eurostat.

O salário mínimo grego não ultrapassa atualmente os 920 euros, apesar dos sucessivos aumentos realizados desde a crise financeira.

Em setembro, a inflação na Grécia atingiu 5,1% em termos homólogos, contra uma média de 3,8% na zona euro, de acordo com o Eurostat.

O Governo conservador tem procurado afastar comparações entre a situação no país e os recentes protestos em França.

O primeiro-ministro, Kyriakos Mitsotakis, afirmou na segunda-feira que a Grécia não regressará “à época de grande agitação social” vivida durante a crise financeira entre 2009 e 2018, quando as medidas de austeridade provocaram sucessivas manifestações e episódios de violência.

 

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