
Porto, 21 out 2026 (Lusa) – Cerca de 70 pessoas mantinham-se hoje pelas 01:15 na Praça D. João I, no Porto, maioritariamente em conversa e sem atos de manifestação, numa altura em que não estavam presentes quaisquer elementos da polícia.
O ambiente estava calmo na praça, sem polícia ou barulho, para lá de conversas espaçadas em pequenos grupos, sem tendas montadas e as faixas de contestação recolhidas.
Pontualmente, rondam a praça viaturas da Polícia de Segurança Pública (PSP), sem qualquer intervenção até ao momento.
A concentração de hoje juntou mais de um milhar de pessoas que foram da praça, até à Câmara do Porto, e de regresso ao local onde desde 10 de outubro se têm concentrado e acampado, tendo hoje de manhã sido ordenados pela PSP a retirar as tendas.
Num curto comunicado divulgado durante a manifestação, a organização do Movimento Pela Habitação – Acampada do Porto garante que se reserva “o direito de desfrutar dos dias de folga concedidos caridosamente pela ação das forças policiais, a começar em dia de jogo do FC Porto”, que na terça-feira defrontou o PSV Eindhoven no Estádio do Dragão.
“Por ora, não faremos (nenhum porta-voz) comunicados, declarações, participações ou entrevistas, em direto ou gravados, a nenhum veículo mediático. Sem querer alienar-vos do trabalho importantíssimo que prestam — no qual, pelo esmero até aqui empregado, agradecemos muitíssimo -, tomamos essa decisão estrategicamente”, pode ler-se na nota.
Garantindo que “isto não acabou”, prometem voltar no “sábado, na praça, para manifestação – enquanto ainda podemos”.
Os atuais protestos pelo direito à habitação e o custo de vida em Portugal tiveram início na cidade do Porto, a 10 de outubro, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I e a pernoitarem no local em tendas de campismo.
Nesse dia, a plataforma cívica “Não dá mais para viver assim” promoveu protestos também em Aveiro, Braga e Lisboa reivindicando o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis, impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário, energético e da distribuição e medidas que respondam à crise na habitação.
O movimento no Porto apresenta seis reivindicações principais: “abaixo a lei das rendas; fim dos despejos; fim da compra de imóveis por fundos abutres; mais habitação pública; recuperação de imóveis devolutos para habitação; tetos às rendas”.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, já no formato de uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia, e à noite cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais, mas acabaram por dispersar.
As tendas voltaram ao local no sábado e a acampada alastrou nesse dia à cidade de Lisboa. Na madrugada de terça-feira, enquanto o protesto da cidade nortenha foi terminado perante os avisos de intervenção policial, as autoridades removeram dezenas de tendas na capital e detiveram 55 pessoas por desobediência, entretanto libertadas que serão hoje ouvidas por um juiz.
Novas assembleias populares também se realizaram na terça-feira em Lisboa e em cidades como Coimbra, Braga ou Faro.
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