Milhares de pessoas encheram Rossio para exigir mais casas

Lisboa, 20 out 2026 (Lusa) — Largas centenas de pessoas reuniram-se hoje às 19:00 na Praça do Rossio, em Lisboa, para exigir mais habitação e melhores condições de vida.

Cerca de uma hora depois, a praça ficou completa quando se juntaram milhares de pessoas, que gritavam palavras de ordem.

“Luís, não sejas egoísta, partilha as tuas casas que a crise está à vista”, “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais” e “Abaixo o capital que vai cair, vai cair e viva o povo unido a resistir, a resistir” foram algumas das entoadas.

Na assembleia popular realizada às 19:00, os organizadores propuseram a votação, que pelas 20:00 ainda não tinha acontecido, do regresso das tendas ao Rossio.

O microfone foi depois aberto a quem quisesse intervir, tendo as intervenções mais aplaudidas sido as que defenderam limites aos tetos das rendas e a realização de uma greve ibérica.

Entre as milhares de pessoas na Praça do Rossio, a Lusa constatou que estão a ex-vereadora pela Habitação na Câmara de Lisboa Helena Roseta, o ex-líder do Bloco de Esquerda (BE) Francisco Louçã, o atual coordenador do BE, José Manuel Pureza, o historiador e deputado do Livre, Rui Tavares, e o dirigente do Livre Jorge Pinto.

Pelas 20:00, o ambiente naquela praça era de euforia, com gritos e aplausos.

As pessoas levaram também cartazes para o protesto com frases como “não somos nómadas digitais, somos lisboetas reais”, “Luís, ladrão, eu quero habitação” e “Polícia de insegurança privada”.

“Lisboa não está à venda”, “Não confie em ninguém com mais de 30 casas”, “Menos bastão, mais habitação” e “Casas para viver, não enriquecer”, são outros exemplos.

Os atuais protestos pelo direito à habitação e o custo de vida em Portugal tiveram início na cidade do Porto, no dia 10 deste mês, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I e a pernoitarem no local em tendas de campismo.

No dia 15, o movimento que protestava no Porto, já no formato de uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia, e à noite cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais, mas acabaram por dispersar.

As tendas voltaram ao local no sábado e a acampada alastrou nesse dia à cidade de Lisboa. Hoje de madrugada, enquanto o protesto da cidade nortenha foi terminado perante os avisos de intervenção policial, as autoridades removeram dezenas de tendas na capital e detiveram 55 pessoas por desobediência, entretanto libertadas que serão ouvidas na quarta-feira por um juiz.

Novas assembleias populares estão marcadas para hoje nas duas cidades e em outras, como Coimbra ou Faro.

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