
Tirana, 20 out 2026 (Lusa) — Os protestos liderados por estudantes e professores universitários contra a corrupção e por melhores condições de vida na Albânia prosseguiram hoje pelo oitavo dia em Tirana, com o lançamento de ‘cocktails’ molotov e pedras à sede do Governo.
A polícia respondeu com jatos de água, gás lacrimogéneo e balas de borracha às tentativas dos manifestantes — muitos deles estudantes do ensino secundário e universitário — de se aproximarem do gabinete do primeiro-ministro, o socialista Edi Rama, no centro da capital, segundo imagens exibidas pelas televisões.
Anteriormente, o edifício do Ministério da Educação já tinha sido, mais uma vez, palco de confrontos entre estudantes e agentes da polícia de choque.
Numa tentativa de mostrar abertura às reivindicações dos estudantes, Edi Rama tinha colocado sete cadeiras com estofos vermelhos na escadaria junto ao seu gabinete, próximo da avenida onde decorrem os protestos, com um cartaz em que se lia “diálogo” colocado sobre um dos assentos.
A iniciativa não foi bem recebida pelos manifestantes que, horas mais tarde, pegaram nas cadeiras e as partiram, evidenciando uma vez mais a falta de sintonia entre o chefe do Governo e a população.
A União dos Professores Universitários da Albânia (Spush) organizou, esta manhã, uma marcha de apoio aos estudantes e acusou o Governo de ter ignorado, durante meses, os protestos dos estudantes, que fazem parte de um movimento de cidadãos contra a corrupção e o elevado custo de vida.
“Se não se dá resposta aos protestos pacíficos, deve-se esperar que surjam revoltas”, declarou o líder da Spush, Sandër Kovaçi.
Anunciou também que os professores vão iniciar, na quarta-feira, uma greve por tempo indeterminado em todas as universidades públicas da Albânia, além de uma marcha diária em direção ao gabinete de Rama.
Os sindicatos de estudantes, em conjunto com os docentes, prometem continuar presentes nas praças e vias públicas “todos os dias”.
Um balanço divulgado pelas autoridades albanesas após os primeiros sete dias de mobilizações em massa — que incluíram episódios graves, como o incêndio da sede do Supremo Tribunal — indicou que 310 pessoas ficaram feridas, 191 das quais polícias, 88 manifestantes e 31 transeuntes.
A polícia informou hoje que 271 pessoas foram detidas nos últimos sete dias. Dos 33 detidos na segunda-feira em Tirana, seis eram menores.
Os estudantes iniciaram esta onda de protestos na passada terça-feira para exigir a demissão de Rama, que governa desde 2013.
Os protestos inserem-se na “Revolução dos Flamingos”, um movimento até agora pacífico que teve início em maio passado, depois de ter vindo a público que o Governo planeava vender terrenos num parque natural a um projeto turístico de empresários estrangeiros ligados a Jared Kushner, genro do Presidente norte-americano, Donald Trump.
ANC // PSC
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