TPI, opositor da Tanzânia e duas irmãs iranianas finalistas ao prémio Sakharov

Estrasburgo, França, 19 out 2026 (Lusa) — O Tribunal Penal Internacional, o opositor tanzaniano Tundu Lissu e duas irmãs iranianas condenadas em Teerão pela participação nas manifestações de janeiro são os três finalistas ao prémio Sakharov deste ano, anunciou hoje o Parlamento Europeu.

Os candidatos ao Prémio Sakharov para a Liberdade do Pensamento foram hoje votados pelos eurodeputados das comissões dos Negócios Estrangeiros e do Desenvolvimento do Parlamento Europeu, com base em propostas que tinham sido feitas pelos grupos políticos.

O vencedor será anunciado na quinta-feira na sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, após ter sido escolhido pela Conferência dos Presidentes, que reúne a presidente da instituição, Roberta Metsola, e os líderes dos grupos políticos.

A escolha do Tribunal Penal Internacional, que tinha sido proposta pelos Socialistas e Democratas Europeus (S&D, na sigla em inglês), surge numa altura em que a instituição tem sido alvo de sanções e tentativas de desmantelamento pelos Estados Unidos.

O S&D tinha proposto o TPI para finalista do prémio Sakharov por considerar que seria um “passo significativo para defender a ordem internacional baseada em regras”, construída para “lidar com os piores crimes, ajudar e aliviar as vítimas e responsabilizar Putin, os talibãs, Netanyahu e outros criminosos”.

Por sua vez, o advogado e líder do Partido Pela Democracia e o Progresso da Tanzânia, Tundu Lissu, tinha sido proposto pelo Partido Popular Europeu (PPE) e pelos Conservadores e Progressistas Europeus (ECR, na sigla em inglês).

Vítima de uma tentativa de assassínio em 2017, Tundu Lissu, 58 anos, encontra-se atualmente preso, acusado de traição, um crime punível com a pena de morte, por ter denunciado e lutado contra a repressão política no país.

Os terceiros finalistas, proposto pelos Patriotas pela Europa, são as duas gémeas iranianas Taraneh e Romina Rahimi, detidas durante a vaga de repressão do regime em janeiro, tendo uma sido condenada à morte e a outra a 25 anos de prisão.

Num comunicado divulgado em setembro, o Chega, que pertence a este grupo político, tinha indicado que esta proposta tinha sido inicialmente feita pelo seu eurodeputado Tiago Moreira de Sá, que salientava que as duas irmãs “não são símbolos abstratos”, mas duas pessoas cuja vida pode “depender de o mundo continuar a olhar para os problemas” no Irão e “não desviar o olhar para questões laterais”.

O prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, batizado em homenagem ao físico e dissidente político soviético Andrei Sakharov, é o maior prémio de direitos humanos da União Europeia (UE), com o valor pecuniário de 50 mil euros.

Atribuído pelo Parlamento Europeu desde 1988, o prémio visa reconhecer o trabalho em prol da defesa dos direitos humanos e dos direitos fundamentais.

No ano passado, os vencedores do prémio foram o jornalista bielorrusso Andrzej Poczobut e a jornalista georgiana Mzia Amaglobeli, que se encontravam ambos detidos na altura.

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