PR moçambicano exige a novo ministro qualidade no ensino e valorização dos professores

Maputo, 19 out 2026 (Lusa) – O Presidente moçambicano exigiu hoje ao novo ministro da Educação e Cultura melhorias na qualidade do ensino e nas condições de trabalho dos professores, defendendo o diálogo com a classe e o combate ao abandono escolar.

“Os professores são o coração do nosso sistema educativo”, afirmou Daniel Chapo, em Maputo, na cerimónia de tomada de posse dos novos dirigentes, defendendo que as preocupações apresentadas pelas organizações representativas dos docentes devem ser tratadas com respeito, humildade e responsabilidade.

O chefe de Estado pediu ao novo ministro, Edson Macuácua, uma liderança orientada para resultados, apontando como prioridades a regularização dos pagamentos em atraso, incluindo das horas extraordinárias, a transparência na gestão dos recursos humanos e o reforço da formação dos professores.

Defendeu igualmente a redução das desigualdades entre escolas urbanas e rurais e o fortalecimento do ensino técnico-profissional, para dotar os jovens de competências que lhes permitam trabalhar, criar negócios e contribuir para o desenvolvimento económico do país: “Queremos que a sua liderança seja marcada por uma nova dinâmica de trabalho, maior proximidade com os professores e melhoria da qualidade do ensino”.

Macuácua foi nomeado ministro da Educação e Cultura em 14 de outubro, em substituição de Samaria Tovela, exonerada no mesmo dia por Chapo. O governante ocupava anteriormente o cargo de secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, agora atribuído a Isaú Joaquim Menezes, também hoje empossado.

Na mesma cerimónia, Chapo pediu ao novo secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior a continuidade das reformas neste subsistema de ensino, com reforço da investigação científica e da ligação entre as universidades e o setor produtivo.

O Presidente defendeu que as instituições de ensino superior devem contribuir para a resolução dos problemas da sociedade e preparar jovens capazes de criar empresas, desenvolver tecnologias e impulsionar a transformação da economia moçambicana.

Em declarações aos jornalistas, Macuácua defendeu uma atuação conjunta com professores, estudantes e encarregados de educação, apontando o diálogo e a valorização dos docentes como prioridades da sua liderança.

“Temos de dialogar com o professor, trabalhar com o professor, dialogar com os encarregados de educação e trabalhar com os estudantes”, afirmou, reiterando o compromisso do Governo de tratar a educação como prioridade e como investimento no desenvolvimento nacional.

Questionado sobre a inteligência artificial e outras tecnologias de informação e comunicação, o ministro afirmou que o Governo pretende incentivar a sua utilização e regulamentar a aplicação, de forma a assegurar princípios éticos e promover a produção nacional de conteúdos.

A exoneração de Tovela ocorreu no dia em que a então ministra criticou o endividamento dos professores e defendeu uma melhor gestão dos respetivos rendimentos. Durante o II Conselho Coordenador do Ministério da Educação e Cultura, afirmou que alguns docentes ficam com apenas 200 meticais (2,8 euros) mensais após os descontos salariais.

A então governante defendeu ainda que a avaliação do sistema educativo deve ter em conta os conhecimentos efetivamente adquiridos pelos alunos, sobretudo no ensino primário, incluindo capacidades de leitura, escrita e realização de operações matemáticas básicas.

Os professores têm apresentado reivindicações relacionadas com o enquadramento na Tabela Salarial Única (TSU), o pagamento de retroativos, aumentos salariais e progressão na carreira com base nos anos de serviço na função pública. A classe reclama igualmente o fim do subsídio funerário, que considera inadequado às suas necessidades.

Nos últimos anos, Moçambique tem registado greves e paralisações em vários setores da função pública, incluindo educação e saúde, com trabalhadores a exigirem melhores condições laborais e o cumprimento de compromissos salariais assumidos pelo Governo.

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