
Milão, 18 out 2026 (Lusa) — Saqueadores e polícia entraram em confronto hoje no centro de Milão, norte de Itália, pelo segundo dia consecutivo, com jovens a atirarem garrafas e a fazerem roubos nas lojas do bairro central da catedral.
A violência começou no sábado, à margem de uma manifestação contra o custo de vida e os baixos salários, entre outras reivindicações, num dia marcado por protestos em várias cidades italianas, como Bolonha e Turim.
Neste dois dias de protestos, a polícia metropolitana da Lombardia, província da região de Milão, deteve cerca de 70 pessoas, refere a agência de notícias italiana Ansa.
Hoje, a polícia utilizou gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar vários grupos na praça da catedral, o coração histórico e turístico da cidade.
Imagens de vídeo mostram jovens, principalmente homens, a atirar objetos contra carros da polícia.
Um supermercado da Via Torino, que dá para aquela praça, foi alvo de pilhagens, com caixotes do lixo virados e motas e bicicletas vandalizadas.
O presidente da Câmara de Milão, Giuseppe Sala (centro-esquerda), afirmou ter visto “montras partidas, lojas saqueadas e cidadãos assustados”.
“O que aconteceu aqui é o que vemos em muitas cidades do mundo”, afirmou hoje à Ansa, mostrando-se “muito preocupado porque se trata de um fenómeno novo, que tem também a sua origem num contexto internacional e, por isso, se autoalimenta”.
No sábado à tarde, a polícia disparou gás lacrimogéneo e avançou contra os participantes da manifestação, após a montagem de barricadas, o lançamento de engenhos pirotécnicos e ataques ao cordão policial por parte de grupos violentos, informaram os meios de comunicação social italianos.
A primeira-ministra, Giorgia Meloni, marcou hoje uma reunião sobre segurança para segunda-feira, em resposta à onda de violência.
Meloni, cujo governo de coligação entre a direita e a extrema-direita terá de enfrentar novas eleições em 2027, condenou no sábado os agitadores “que aproveitam as manifestações para semear o caos, agredir quem garante a segurança e tomar como reféns cidades inteiras”.
“Manifestar-se é um direito. Incendiar as nossas cidades não é”, escreveu, numa mensagem nas redes sociais.
“Tenho um grande respeito pelas milhares de pessoas que hoje se manifestaram pacificamente, participando inclusive na mobilização convocada pela CGIL, que contou também com a presença de líderes da esquerda. Quaisquer que sejam as ideias pelas quais se manifesta, a participação é a base de qualquer democracia saudável”, salientou Meloni.
No sábado, durante uma manifestação, o secretário-geral da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), Maurizio Landini, anunciou, a convocação de uma greve geral para 20 de novembro, coincidindo com a greve estudantil europeia.
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