
Porto, 16 out 2026 (Lusa) — A organização do movimento pela habitação que tem ocupado a Praça D. João I, no Porto, vai voltar a montar tendas e a acampar no sábado no local, segundo comunicado hoje divulgado.
“Voltaremos. Permaneceremos. Sábado, Praça D. João I, às 12:00, em apoio à manifestação da CGTP; às 19:00, acampada”, pode ler-se no comunicado de imprensa hoje enviado à Lusa.
A organização convocou para hoje, pelas 19:00, uma vigília no mesmo local, pacífica, depois de, na noite de quinta-feira, “mais de três mil” terem protestado pelo direito à habitação e contra a carga policial de que o mesmo movimento foi alvo nessa madrugada, de que resultaram 39 feridos, dois deles graves, além de um polícia também ferido.
“Este movimento tem registado, dia após dia, um êxito de adesão. Um aumento no tamanho da crise que enfrentamos. No sábado, éramos algumas dezenas de acampados. Quarta-feira, fomos centenas. Ontem [quinta-feira], éramos mais de 3.000 a protestar. Reiteramos: uma vitória. Do invicto Porto”, pode ler-se na nota.
Hoje, na vigília, não haverá lugar a assembleia popular ou decisões, já tomadas na noite de quinta-feira e relativas à adesão à manifestação da CGTP este sábado, dia em que planeiam reerguer a acampada.
Sobre quinta-feira, denunciam a infiltração de um grupo de extrema-direita na multidão, tendo provocado um desacato, e um ferido, que foi levado de ambulância.
Essa infiltração foi o que levou à desmobilização, por decisão da organização, pelas 01:20 de hoje, para segurança dos participantes.
Face aos “danos físicos” dos últimos dias e as perdas materiais, como “tendas, pertences, mesas, cadeiras, comida, tudo apreendido ou comprometido”, o dia de hoje foi dedicado “à reorganização, reestruturação e planeamento logístico e prático”.
Na noite de quinta-feira, a partir das 19:00, cerca de três mil pessoas concentraram-se para manifestar pelo direito à habitação, na sequência de uma acampada que começou no sábado e teve intervenção de limpeza municipal na segunda-feira, primeiro, e uma carga policial na madrugada de quinta-feira, depois, da qual resultaram quatro dezenas de feridos, com a organização a garantir ter sido sempre pacífica e a PSP a defender que houve “resistência”.
A última concentração deslocou-se, durante alguns minutos, até à Câmara do Porto, em frente à qual o protesto decorreu antes de regressar à Praça D. João I em que tem decorrido desde que começou.
Os organizadores apelaram ao regresso no sábado ao local, com autorização camarária, durante todo o dia, em paralelo com a ação convocada para esse dia pela CGTP.
SIF (JFO) // JAP
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