Portugal e China reativam comissão científica suspensa desde 2019

Tianjin, China, 16 out 2026 (Lusa) — Portugal e China vão reativar na segunda-feira a Comissão Mista de Ciência e Tecnologia, suspensa desde 2019, e esperam alcançar um entendimento sobre as prioridades de cooperação bilateral, revelou hoje à Lusa o ministro da Educação.

“Penso que teremos na segunda-feira um resultado muito positivo para podermos desenhar a nova forma de colaboração entre Portugal e a China, em domínios estratégicos para os dois países”, afirmou Fernando Alexandre.

Em declarações à Lusa, à margem da Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento do Ensino Profissional e Técnico, na cidade chinesa de Tianjin, o mnistro da Educação, Ciência e Inovação explicou que as equipas técnicas dos dois países têm trabalhado desde a visita que realizou à China, em junho.

Nessa ocasião, Fernando Alexandre acordou com o ministro chinês da Ciência e Tecnologia, Yin Hejun, a retoma dos trabalhos da comissão bilateral, que não se reúne desde 2019.

A X Comissão Mista de Ciência e Tecnologia terá lugar na segunda-feira, em Pequim, estando prevista a assinatura de uma declaração conjunta que deve definir as áreas prioritárias de cooperação até ao final da década.

O objetivo é negociar um Plano de Ação Conjunto Portugal — China para a Ciência e a Inovação, relativo ao período de 2027 a 2030, e estabelecer instrumentos que permitam concretizar projetos conjuntos.

O ministro destacou a resposta das universidades e instituições de investigação portuguesas ao relançamento da cooperação, incluindo entidades que identificaram novas instituições chinesas com as quais pretendem desenvolver parcerias.

“Nos próximos anos podemos ter uma colaboração ainda mais profunda e mais direcionada para aqueles que são os interesses dos dois países”, afirmou.

Fernando Alexandre adiantou que Portugal está a concluir a avaliação estratégica das prioridades nacionais de investigação e inovação para os próximos cinco anos, algumas das quais deverão coincidir com as áreas identificadas para a cooperação com a China.

“Teremos certamente instrumentos nos próximos cinco anos que usarão a colaboração entre Portugal e a China para concretizar esses objetivos que temos”, acrescentou.

Outro dos temas da visita é o reconhecimento mútuo de graus académicos, considerado fundamental para facilitar a mobilidade de estudantes, docentes e investigadores entre os dois países.

O Governo português pretende retomar as negociações de um acordo bilateral que estabeleça a equivalência entre os graus portugueses de licenciatura, mestrado e doutoramento e os graus chineses correspondentes.

Fernando Alexandre explicou que a questão foi abordada durante a visita de junho, quando manteve encontros com os ministros chineses da Educação e da Ciência e Tecnologia, tendo as equipas técnicas trabalhado em paralelo nas duas áreas.

“A colaboração nos graus pós-graduados de mestrado e doutoramento tem sido muito enfatizada pela China e também pelas instituições portuguesas, mas sem termos o reconhecimento dos graus, essa colaboração nunca alcançará todo o seu potencial”, afirmou.

Questionado sobre os resultados das negociações, o ministro reconheceu que ainda não existe um acordo, mas destacou os progressos alcançados.

“Não está ainda fechado, mas houve uma grande aproximação”, afirmou, acrescentando que persistem obstáculos que estão a ser ultrapassados.

A deslocação oficial de Fernando Alexandre à China, acompanhado pela secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão, decorre entre Tianjin, Pequim e Xangai e inclui visitas a universidades e centros de investigação chineses.

A comitiva integra representantes de universidades, institutos politécnicos e centros de investigação portugueses, incluindo o Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular, o INESC TEC e o INESC-ID.

*** João Pimenta, da agência Lusa ***

 

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