
Tirana, 15 out 2026 (Lusa) – Os três dias de protestos violentos contra o Governo albanês deixaram 71 polícias feridos, incluindo um em estado crítico, e pelo menos 71 manifestantes detidos, anunciou a polícia do país balcânico.
O diretor-geral da polícia, Skënder Hita, reportou, em declarações à imprensa, o número de agentes feridos, enquanto a polícia deu conta, através do seu site, das 71 detenções e medidas criminais contra outras 147 pessoas, sem ainda especificar os números correspondentes aos distúrbios de hoje.
Hita disse que muito poucos dos detidos eram estudantes, apesar de as mobilizações serem lideradas por estudantes universitários que exigem a demissão do primeiro-ministro, o socialista Edi Rama.
“Nenhum dos detidos na primeira noite revelou ser estudante, enquanto entre os detidos na segunda noite verificou-se que muito poucos eram”, disse Hita, segundo a televisão A2 CNN.
Este perfil dos detidos contrasta com o facto de a maioria dos manifestantes serem adolescentes, muitos deles em idade escolar, como a agência de notícias espanhola EFE verificou no terreno.
Alguns transeuntes chegaram mesmo a repreender os agentes por deterem menores, por exemplo, após confrontos na Praça Skanderbeg, onde agentes lançaram gás lacrimogéneo esporadicamente e manifestantes atiraram pedras da calçada.
O Ministério da Saúde indicou que 14 feridos foram transferidos para o Hospital Universitário de Traumatologia: oito polícias, quatro manifestantes e outros dois menores.
Estes são os únicos dados sobre manifestantes feridos até agora.
Na cidade de Shkodër, no norte, o comandante da polícia, Fasil Rama, encontra-se em estado crítico depois de uma pedra lançada por manifestantes reunidos à porta da esquadra o ter atingido na cabeça.
Em Tirana, os confrontos prosseguiram pelo terceiro dia consecutivo, com manifestantes a atirar pedras a polícias, a erguer barricadas com mobiliário urbano e a incendiar contentores, bem como a destruir dependências bancárias e outras lojas.
Por todo o centro da cidade, manifestantes vandalizaram agências bancárias, lojas de telemóveis, restaurantes de ‘fast-food’, semáforos e paragens de autocarro.
A polícia impediu uma multidão, muitos deles jovens e com o rosto coberto, de se aproximar do Ministério da Educação e do parlamento.
Os protestos, que se estendem a outras cidades, reúnem milhares de pessoas que exigem a demissão de Edi Rama e mais apoio aos estudantes universitários, que denunciam as más condições dos seus centros e as elevadas propinas académicas.
O primeiro-ministro culpou a oposição conservadora pela violência e divulgou hoje um vídeo em que visitava a sede incendiada do Colégio da Europa em Tirana, após ataques a vários edifícios na quarta-feira.
“Todos devem responder perante a lei, e quem fez parte deste caos pagará por isso”, avisou Rama.
O Presidente albanês, Bajram Begaj, pediu contenção e apelou para que as tensões não pusessem em risco a estabilidade do país.
“No exercício das responsabilidades e poderes que me são conferidos pela Constituição, estou à disposição de todos aqueles que procuram um espaço para diálogo e compreensão”, disse, num vídeo publicado no seu perfil na rede social Facebook.
A escalada surge após meses de mobilizações antigovernamentais quase sempre pacíficas contra um controverso projeto turístico ligado à família do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O que inicialmente era uma campanha ambiental tornou-se um movimento contra a alegada corrupção do Governo de Rama e da oposição conservadora, que os manifestantes também consideram parte de um sistema que beneficia uma oligarquia e não os cidadãos.
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