Mina moçambicana de titânio aumentou em 12% produção no terceiro trimestre

Maputo, 15 out 2026 (Lusa) – A produção de ilmenite na mina moçambicana de Moma aumentou 12% no terceiro trimestre, para 233.600 toneladas, anunciou mineradora Kenmare, que reviu em baixa a previsão anual alegando dificuldades operacionais, enquanto negoceia a continuidade com o Governo.

Num relatório de produção divulgado hoje, a empresa irlandesa, que detém aquela concessão, uma das maiores minas de titânio do mundo, refere que a produção de ilmenite (principal produto e fonte de titânio) aumentou 59% face ao trimestre anterior, beneficiando do crescimento dos volumes de minério extraído nas três unidades de concentração em operação em Moma, na província de Nampula, norte de Moçambique.

A produção de concentrado de minerais pesados (HMC) atingiu 334.100 toneladas entre julho e setembro, mais 12% do que no mesmo período de 2025, enquanto a produção de zircão aumentou para 13.000 toneladas e a de rútilo para 2.200 toneladas.

“A produção de ilmenite reforçou-se substancialmente no terceiro trimestre de 2026, aumentando quase 60% em comparação com o segundo trimestre, devido ao aumento dos volumes de minério escavado nas três unidades de concentração”, afirmou o diretor-executivo da empresa, Tom Hickey, citado no documento.

Contudo, a recuperação operacional não foi suficiente para evitar uma revisão em baixa das metas anuais.

“Devido aos contínuos desafios de comissionamento na WCP A [nova unidade], esperamos agora que a produção de ilmenite em 2026 fique entre 710.000 e 750.000 toneladas, comparativamente às cerca de 800.000 toneladas anteriormente previstas”, adiantou o gestor.

A empresa prevê igualmente que as expedições em 2026 atinjam cerca de 1,05 milhões de toneladas, abaixo das projeções iniciais, atribuindo a revisão sobretudo aos atrasos registados noutros portos durante o terceiro trimestre, que limitaram o tempo disponível para carregamento de navios em Moma.

O relatório destaca também avanços nos trabalhos para valorização de minerais críticos existentes no depósito moçambicano.

“Concluímos durante o período um Estudo de Pré-Viabilidade para investigar o potencial de gerar maior valor a partir dos elementos de terras raras presentes no depósito de Moma. Estamos agora a iniciar um Estudo de Viabilidade Definitivo, em conjunto com discussões comerciais em curso com potenciais parceiros de compra”, afirmou Tom Hickey.

Segundo a empresa, apesar de as condições de mercado continuarem fracas para os minerais de titânio, os preços médios recebidos melhoraram face ao trimestre anterior devido a um perfil de vendas de maior valor acrescentado, ao mesmo tempo que o mercado internacional de zircão dá sinais de recuperação.

A mina de Moma assegura cerca de 6% da oferta mundial de minerais de titânio e dispõe de reservas com uma vida útil estimada superior a 100 anos, segundo dados fornecidos anteriormente pela empresa.

No relatório de hoje, a Kenmare confirma ainda o interesse de aquisição da empresa por parte da International Resources Holdings (IRH), dos Emirados Árabes Unidos, acrescentando que as conversações continuam.

Tom Hickey reforçou ainda a importância das negociações em curso com o Governo moçambicano, para a continuidade da Kenmare naquela concessão.

“Garantir a renovação do Acordo de Implementação de Moma continua a ser uma prioridade fundamental e estamos focados numa conclusão deste processo a curto prazo”, afirmou Tom Hickey, sobre as negociações entre a empresa e o Estado moçambicano para renovar o acordo que rege as condições fiscais e operacionais da concessão mineira de Moma.

A empresa tinha igualmente revelado, em maio, que mantinha negociações “construtivas” com o Estado moçambicano para renovar o acordo, cujo prazo expirou em dezembro de 2024, embora a mina continue a operar ao abrigo das condições anteriormente estabelecidas.

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