Zelensky pede a Musk restabelecimento do acesso a satélites Starlink

Londres, EUA, 14 out 2026 (Lusa) – O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou hoje ao restabelecimento do acesso à rede de satélites Starlink, propriedade do bilionário Elon Musk, de que o país depende para enfrentar os constantes ataques de mísseis russos. 

“As pessoas vão morrer, claro, se os ataques continuarem e se a Starlink não funcionar (…) Espero realmente que se trate de um erro, talvez de um problema técnico grave — não sei —, mas pedimos que o serviço seja restabelecido”, disse Zelensky ao jornalista Piers Morgan, numa entrevista cujos excertos foram divulgados online. 

Afirmou ainda que foi “um grande erro” a interrupção da Starlink, utilizada para comunicações no campo de batalha na Ucrânia e para a interceção de drones. 

Durante a visita de hoje a Londres, Zelensky confirmou preocupações relacionadas com o Starlink e com a partilha de informação por parte dos Estados Unidos. 

“Hoje sofremos ataques em grande escala e é realmente lamentável que tenhamos tido algumas dificuldades que gostaria de discutir com o [primeiro-ministro britânico] Andy [Burnham] sobre o Starlink e sobre informações”, disse, em declarações à chegada a Downing Street. 

Zelensky mostrou-se frustrado com “muitas surpresas diferentes com as quais não se deve contar quando se tem uma verdadeira parceria”.  

Os ataques com mísseis balísticos e drones na terça-feira mataram pelo menos cinco pessoas e feriram 36, segundo a polícia ucraniana.  

Kiev queixou-se de falta de informação sobre os ataques russos e de limitações no uso da plataforma Starlink para lançar os próprios drones.  

No início do seu encontro com o primeiro-ministro britânico em Downing Street, Zelensky afirmou que “conta com a parceria com os Estados Unidos”, embora tenha dito sentir-se traído pelos recentes anúncios de Donald Trump. 

“É doloroso ver o Presidente Trump escolher um lado, e não o nosso”, afirmou ainda na entrevista a Piers Morgan. 

Questionado se se sentia traído, respondeu “sim”, acrescentando: “é um pouco mais complicado do que apenas as minhas emoções ou sentimentos. Não se trata de mim, mas da sobrevivência do meu país”. 

Sobre a Starlink, um conselheiro do presidente ucraniano, Serhiy Beskrestnov, tinha afirmado hoje que o funcionamento de alguns terminais tinha sido restringido na noite anterior, sem aviso prévio.  

Kiev afirma também não ter recebido qualquer aviso sobre ataques russos, pela segunda noite consecutiva, quando a Ucrânia depende de informações de inteligência militar ocidental — e, em particular, norte-americana — para antecipar e contra-atacar as ofensivas russas. 

O Presidente ucraniano elogiou o apoio britânico ao seu país, depois de o primeiro-ministro britânico ter confirmado que Londres iria “acelerar a entrega de mísseis de defesa aérea”. 

Nas declarações aos jornalistas, transmitidas pela BBC, o chefe de Estado ucraniano reiterou estar preparado “para qualquer tipo de cessar-fogo”.  

“Temos repetido e recordado ao Presidente Trump e a todos os países que, desde o início, mesmo desde o início da ocupação russa, se mostraram dispostas a pôr fim a esta guerra, a sentar-se à mesa e a dialogar”, acrescentou. 

Burnham afirmou que queria tentar “reparar os laços” entre Zelensky e Trump, que tem feito duras críticas ao Presidente ucraniano nos últimos dias. 

A Ucrânia e os seus aliados europeus ficaram perplexos com a decisão do Presidente norte-americano, no passado fim de semana, de levantar as sanções sobre o gasóleo russo.  

Trump também criticou duramente Zelensky, chegando mesmo a “sugerir” aos ucranianos que escolhessem “um novo líder capaz de chegar a um acordo” de paz com Moscovo. 

Os líderes europeus evitaram criticar diretamente o Presidente norte-americano, apoiando o seu apelo para uma trégua nos ataques russos e ucranianos às instalações energéticas do lado adversário. 

Antes de ir para Downing Street, o Presidente ucraniano foi recebido pelo Rei Carlos III, que frequentemente lhe tem demonstrado apoio.  

O Reino Unido tem sido um dos principais apoiantes da Ucrânia desde o início da ofensiva russa em grande escala, em 2022.  

Desde que assumiu o cargo, em julho, Burnham já se reuniu com Zelensky por duas vezes — em Inglaterra e em Kiev. 

No encontro em Londres, o primeiro-ministro britânico referiu o apelo lançado no fim de semana por Trump  para um cessar-fogo energético, lamentando que a Rússia tenha respondido com novos ataques contra infraestruturas críticas ucranianas. 

“Fica, mais uma vez, claro para o mundo quem é o agressor neste conflito”, denunciou Burnham. 

 

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