
Lisboa, 14 out 2026 (Lusa) – O antigo Presidente moçambicano Joaquim Chissano lamentou hoje “as situações” que impedem a Guiné-Bissau de participar na CPLP e desejou que regresse “o mais depressa possível”, considerando que o silêncio pode ajudar a construir consensos.
“Lamentamos que um dos países da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] tenha, neste momento ainda, situações que impedem de participar ainda na CPLP”, disse à Lusa Joaquim Chissano, à margem de uma visita à sede da organização, em Lisboa, onde foi recebido pela secretária executiva, Maria de Fátima Jardim, e pelos representantes permanentes dos Estados-membros.
Referindo-se à Guiné-Bissau, o antigo chefe de Estado moçambicano disse ter feito votos para que o país regresse “o mais depressa possível”, para que a comunidade possa “beneficiar da sua contribuição”.
Questionado sobre o papel da CPLP perante a situação naquele país, Chissano ressalvou que não participou nas reuniões, mas afirmou: “Já ouvi dizer que esforços estão sendo feitos de várias maneiras”.
“Há várias maneiras de trazer consensos quando há problemas muito complexos e a melhor maneira às vezes é o silêncio”, acrescentou.
A Guiné-Bissau está suspensa da participação nas atividades da CPLP desde dezembro de 2025, na sequência do golpe militar de 26 de novembro desse ano, que interrompeu o processo eleitoral. A decisão da CPLP determina que a suspensão vigore até à retoma da ordem constitucional.
Estavam previstas para 06 de dezembro deste ano novas eleições, mas o Governo de transição e a Comissão Nacional de Eleições consideraram não estarem reunidas as condições para a votação.
As eleições anteriores, presidenciais e legislativas antecipadas, tinham decorrido em 23 de novembro de 2025, mas o processo foi interrompido pelo golpe militar de 26 de novembro, antes da conclusão do apuramento dos resultados.
Com uma medalha comemorativa dos 30 anos da CPLP à lapela, que recebeu durante a sessão solene, Chissano manifestou “admiração pelos resultados” do trabalho da organização e destacou a diversificação das suas atividades, para além da promoção da língua portuguesa.
“A língua portuguesa hoje serve para falar de conteúdos muito importantes, como a paz, a solidariedade, sobre questões políticas do mundo, sobre a economia, sobre a biodiversidade, sobre a mulher, sobre os direitos humanos, e muito mais”, destacou.
“É muito interessante, no momento em que em algumas organizações encontramos novas dificuldades de estabilização dentro das organizações e a CPLP está se consolidando”, afirmou Chissano.
A CPLP foi criada em 17 de julho de 1996, em Lisboa, por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Atualmente integra nove Estados-membros, após a entrada de Timor-Leste e da Guiné Equatorial.
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