Governo francês diz que protestos estudantis diminuíram, sindicato aponta 90% das universidades fechadas

Paris, 13 out 2026 (Lusa) – O ministro da Educação francês, Édouard Geffray, disse hoje que as manifestações estudantis, a decorrer pelo quinto dia consecutivo, está a perder força, mas um sindicato estudantil garante que 90% das universidades foram fechadas.

Segundo o ministro, há cerca de 200 escolas que permanecem bloqueadas, mas está a assistir-se a “uma diminuição da mobilização”.

O União Estudantil (Union Étudiante), uma das principais organizações de representação e sindicalismo estudantil em França, assegurou, no entanto, que 90% das universidades estão “bloqueadas ou fechadas”.

Os estudantes franceses saíram à rua pelo quinto dia consecutivo de protestos, num momento em que podem perder ímpeto pela chegada do feriado de Todos os Santos, na sexta-feira.

Apelidadas de “Ato V”, as manifestações seguem-se às realizadas a 29 de setembro e 1, 6 e 8 de outubro.

Na última manifestação, na quinta-feira, 71.500 pessoas reuniram-se em todo o país, segundo o Ministério do Interior, em comparação com aproximadamente 256.000 dois dias antes.

Ainda assim, a principal manifestação de hoje está marcada para as 14:00 locais (13:00 em Lisboa), com início na Place d’Italie e término em Les Invalides, perto de Matignon (sede do Governo) e do Ministério da Educação.

A União Estudantil convocou a participação no protesto sob o lema “Eles não nos ouvem, nós iremos atrás deles”, segundo uma mensagem publicada nas redes sociais.

Estão também previstas manifestações noutras cidades, incluindo Rennes, Toulouse, Poitiers, Marselha e Nice.

A mobilização pode estender-se para além dos estudantes e chegar aos trabalhadores do setor da educação e de outras atividades, uma vez que circulam convocatória nas redes sociais e apelos para outra grande mobilização no sábado, coincidindo com o primeiro dia da interrupção letiva de duas semanas.

A secretária-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Sophie Binet, convocou uma greve e novas manifestações para o dia anterior.

“Enquanto o Governo não responder às questões levantadas, a mobilização manter-se-á forte e continuará a desenvolver-se”, alegou.

A convocatória conta com o apoio de seis sindicatos do setor da educação: FSU, UNSA Éducation, FNEC FP-FO, CFDT Éducation Formation et Recherche Publiques, CGT Educ’action e SUD Éducation.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, pediu na segunda-feira que os protestos decorram “com calma e ordem”, afirmando que as reivindicações dos estudantes exigem tempo, diálogo e consenso.

Para já, o Governo está a tentar enviar 3.000 professores de substituição para as escolas com maior dificuldade em suprir as faltas, uma das reivindicações dos alunos, e planeia também criar cerca de mil vagas adicionais para trabalhadores temporários.

As organizações estudantis, no entanto, descreveram estas medidas como “migalhas”.

O protesto começou há cerca de três semanas numa escola secundária da região de Paris, mas rapidamente se transformou num movimento nacional de pressão sobre o Governo, marcado por confrontos com a polícia e tumultos.

Os constantes boicotes às aulas e bloqueios de escolas, juntamente com uma forte resposta policial que levou a milhares de detenções, a maioria das quais de menores de idade, tornaram-se um ponto crítico nos primeiros dias.

Os protestos dos adolescentes encontraram eco no meio do descontentamento generalizado em França, cujas frustrações vão para além das dificuldades imediatas, como os preços dos combustíveis que dispararam por causa da guerra com o Irão, e abrangem preocupações mais amplas sobre as restrições à despesa pública, o aumento da pobreza e a desigualdade de riqueza.

As autoridades começaram a fechar escolas para diminuir a intensidade das manifestações após os danos generalizados e o crescente número de feridos entre funcionários, alunos e polícias.

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