
Durban, 09 out 2026 (Lusa) – A polícia sul-africana usou hoje gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento para dispersar grupos de manifestantes anti-imigração que saquearam e vandalizaram propriedades em Durban, a principal cidade portuária do Oceano Índico.
Esta mais recente onda de violência urbana começou na quinta-feira, quando os grupos se mobilizaram em Durban e Joanesburgo para protestar contra uma diretiva do Governo que ordenava aos centros de acolhimento de refugiados que processassem os pedidos de asilo, após uma decisão de julho do Tribunal Constitucional.
O tribunal superior decidiu que certos obstáculos processuais impostos aos requerentes de asilo violavam a Constituição sul-africana, reafirmando o direito de qualquer pessoa que tenha entrado ilegalmente no país de pedir asilo.
Na esperança de atenuar as tensões, o Governo anunciou hoje a revogação da diretiva para permitir tempo para rever o seu sistema de registo de pedidos de asilo, mas os seus esforços foram em vão.
Em Durban, lar de muitos estrangeiros, documentados e indocumentados, manifestantes enraivecidos marcharam pela cidade, armados com paus.
Um estrangeiro, que preferiu manter o anonimato, disse aos jornalistas que foi agredido por manifestantes que lhe roubaram a carteira e o telemóvel. Noutros locais, três casas foram incendiadas e lojas saqueadas.
“Decidi vir à marcha porque estou preocupado com o que se passa neste país”, disse Vusi Gumede, um manifestante de 43 anos, referindo-se ao tráfico de droga e ao tráfico humano. “Se o Governo não prestar atenção (…) haverá mais violência”, acrescentou, apontando para uma pequena casa em chamas.
Outro protesto foi realizado em frente ao Tribunal Constitucional, em Joanesburgo, onde no dia anterior cerca de dez veículos foram incendiados no grande bairro vizinho de Soweto.
Após a publicação da circular governamental, formaram-se longas filas em frente aos escritórios do Ministério do Interior em várias das principais cidades do país. O ministério admitiu que os seus serviços foram “sobrecarregados em poucos dias”.
Posteriormente, os grupos anti-imigração mobilizaram os seus apoiantes, dando seguimento à ampla campanha promovida contra os imigrantes indocumentados nos últimos meses, e que provocou o êxodo de mais de 160 mil pessoas, de acordo com os números governamentais.
Pelo menos quatro migrantes morreram em atos de violência ligados ao movimento, segundo a polícia.
A África do Sul, a maior economia do continente, há muito que atrai migrantes, mas enfrenta uma taxa de desemprego superior a 30% e profundas desigualdades. Há mais de 20 anos que o país é assolado por uma constante violência xenófoba.
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