
Maputo, 09 out 2026 (Lusa) — Os preços em Moçambique subiram 0,16% em setembro, interrompendo dois meses consecutivos de deflação, enquanto a inflação homóloga desacelerou ligeiramente, para 6,31%, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com o Índice de Preços no Consumidor (IPC) relativo a setembro, o país registou uma ligeira inflação mensal, após quedas de preços de 0,28% em agosto e de 0,26% em julho.
As divisões de Restaurantes, hotéis, cafés e similares, Alimentação e bebidas não alcoólicas e Transportes foram as que mais contribuíram para a subida dos preços, com impactos positivos de 0,07, 0,03 e 0,03 pontos percentuais, respetivamente.
Entre os produtos que mais impulsionaram o aumento dos preços destacam-se a cebola, que subiu 11,4%, o milho em grão (10,4%), os veículos automóveis ligeiros em segunda mão (3,9%), o carapau (0,8%), a cerveja consumida fora de casa (0,8%), o cimento (0,5%) e os hambúrgueres, pregos, bifanas e produtos similares (2,5%). Em conjunto, estes produtos contribuíram com cerca de 0,19 pontos percentuais positivos para a variação mensal.
Em sentido contrário, registaram-se quedas nos preços da couve (6,3%), do tomate (2,4%), do feijão-manteiga (1,1%), do repolho (3,9%), do óleo alimentar (0,4%), do coco (1,7%) e de torneiras, tubos, válvulas, juntas, curvas e produtos similares (3,8%), retirando cerca de 0,13 pontos percentuais à inflação mensal.
O IPC de setembro indica ainda que a inflação acumulada desde janeiro aumentou para 4,99%, face aos 4,83% registados até agosto, enquanto a inflação homóloga desacelerou ligeiramente de 6,45% para 6,31%, dentro da previsão do Governo para 2026, que ronda os 7%.
Segundo o INE, os Transportes e a Alimentação e bebidas não alcoólicas continuam a ser as divisões com maior pressão sobre os preços. Na inflação acumulada contribuíram com 2,09 e 1,55 pontos percentuais, respetivamente, enquanto, na comparação homóloga, registaram aumentos de preços de 14,72% e 8,69%.
Entre janeiro e setembro, os maiores contributos para a subida acumulada dos preços vieram do gasóleo, dos transportes semicoletivos urbanos e suburbanos de passageiros, do peixe fresco, da gasolina, dos serviços de táxi, da cebola e da couve, responsáveis por cerca de 2,81 pontos percentuais da inflação acumulada.
A análise por cidades mostra que apenas Chimoio e Tete registaram deflação em setembro, com reduções de preços de 0,17% e 0,05%, respetivamente. Nos restantes centros de recolha houve aumentos de preços, liderados pela Beira, com 0,43%, seguida da província de Inhambane (0,37%), Xai-Xai (0,32%), Quelimane (0,25%), Maputo (0,19%) e Nampula (0,04%).
Na inflação acumulada desde janeiro, Xai-Xai regista a taxa mais elevada, com 6,93%, seguida de Tete (6,85%) e da província de Inhambane (6,36%). Maputo apresenta a taxa acumulada mais baixa, com 3,65%.
Em termos homólogos, Tete continua a apresentar a inflação mais elevada do país, com 9,35%, seguida da província de Inhambane (8,56%) e de Xai-Xai (8,33%), enquanto Maputo regista a taxa mais baixa, de 4,14%.
Os preços em Moçambique aumentaram 3,23% em todo o ano de 2025, segundo dados anteriores do INE, enquanto a inflação acumulada de 2024 se fixou em 4,15%, abaixo dos 5,3% registados em 2023 e do pico de quase 13% alcançado em julho de 2022.
O Banco de Moçambique manteve recentemente a taxa de juro de política monetária MIMO em 9,25%, continuando a prever que a inflação permaneça em níveis de um dígito no médio prazo.
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