
Maputo, 08 out 2026 (Lusa) — Portugal apoiou perto de quatro mil estudantes moçambicanos nos últimos 10 anos, através de programas de bolsas e formação, incluindo no ensino superior, ciência, defesa e ciências policiais, segundo dados divulgados hoje pela Cooperação Portuguesa.
No ano letivo 2026/2027, 17 novos estudantes moçambicanos beneficiam de bolsas para prosseguir estudos superiores em Portugal, dos quais oito em licenciatura e nove em mestrado, em universidades de Aveiro, Coimbra, Lisboa, Porto e Trás-os-Montes e Alto Douro.
Os oito novos bolseiros de licenciatura, provenientes de diferentes províncias moçambicanas, vão partir na segunda-feira para Portugal para frequentar cursos nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (CTEM), consideradas estratégicas para a formação de quadros capazes de contribuir para o desenvolvimento sustentável e inclusivo de Moçambique.
Atualmente, a Cooperação Portuguesa apoia 109 estudantes moçambicanos através de bolsas, dos quais 74 frequentam instituições de ensino superior em Portugal, 25 estudam no ensino superior em Moçambique e 10 frequentam o ensino secundário na Escola Portuguesa de Moçambique — Centro de Ensino e Língua Portuguesa.
O embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, considerou a educação e a formação um dos pilares fundamentais da cooperação entre os dois países, defendendo que o investimento na qualificação dos jovens constitui uma das formas mais eficazes de contribuir para o desenvolvimento de Moçambique.
“Sem recursos humanos qualificados, tudo aquilo que é potencial não sai do papel”, disse Jorge Monteiro, durante o encontro com os oito novos bolseiros de licenciatura, realizado hoje na Galeria do Camões — Centro Cultural Português, em Maputo.
O diplomata destacou ainda a importância de preparar os jovens moçambicanos para responder às necessidades do país, numa altura em que as pessoas com menos de 30 anos representam mais de dois terços da população, considerando que o investimento na juventude produz resultados no desenvolvimento a médio e longo prazo.
A responsável pelo Departamento de Cooperação do Instituto de Bolsas de Estudo (IBE), Isabel Matola, sublinhou, por sua vez, que o acesso a uma bolsa de estudos representa uma oportunidade, mas também uma responsabilidade, cabendo aos beneficiários aproveitar a formação e colocar posteriormente os conhecimentos adquiridos ao serviço do país.
“A bolsa é uma oportunidade, mas é também uma responsabilidade”, afirmou Isabel Matola, apelando aos estudantes para que cumpram os compromissos associados ao apoio e mantenham o empenho durante o percurso académico.
Segundo a Cooperação Portuguesa, o aumento da procura por bolsas levou Portugal e Moçambique a reforçarem estas oportunidades, sendo a seleção dos beneficiários orientada por critérios de mérito académico, igualdade de género e equilíbrio geográfico, para abranger jovens de diferentes regiões do país.
Portugal concedeu cerca de 2.700 bolsas a estudantes moçambicanos nos últimos 50 anos, enquanto 292 estudantes foram colocados este ano em instituições de ensino superior portuguesas através do regime especial de acesso, segundo dados divulgados em setembro, no âmbito da cooperação entre os dois países.
Entre os novos bolseiros está Marcos Valentim, de 17 anos, da província de Maputo, que vai frequentar Engenharia Informática de Computadores no Instituto Superior Técnico, em Lisboa.
O estudante disse à Lusa que pretende adquirir competências para aplicar em áreas estratégicas como tecnologia, finanças e inteligência artificial. Solenia Catija Mondlane, de 19 anos, vai estudar Medicina na Universidade de Coimbra, com o objetivo de prosseguir posteriormente formação em Neurocirurgia e contribuir para o desenvolvimento desta área em Moçambique.
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