
Brasília, 07 out 2026 (Lusa) — O Brasil e Portugal defenderam hoje o reforço das relações económicas entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com maior comércio, investimentos e cooperação empresarial, durante um fórum que reúne agências de promoção económica da comunidade.
O ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, reafirmou o compromisso do Governo de Lula da Silva com o fortalecimento das relações económicas entre os países da CPLP e destacou a importância da cooperação entre as nações.
“A língua é o que nos aproxima”, afirmou o ministro, defendendo a soberania e a independência dos Estados membros perante o atual contexto geopolítico.
Márcio Elias Rosa considerou que a atual reconfiguração das relações políticas e comerciais exige uma posição firme dos países da CPLP, que devem atuar “com altivez, com clareza, com transparência, com seriedade de propósitos”.
“Tenham o Brasil como um grande aliado para a promoção do comércio, a atração e realização de investimentos”, afirmou, defendendo políticas industriais, de comércio externo e partilha de dados entre os países.
Para o ministro, o atual contexto geopolítico apresenta “dificuldades”, numa altura em que estão em curso mudanças na ordem política e nas relações comerciais internacionais.
“Os grandes blocos estão passando em revista: a União Europeia, a Ásia, a América do Norte, e nós precisamos saber como nos posicionarmos nesse meio”, declarou.
A embaixadora de Portugal no Brasil, Inês Pedrosa, defendeu uma CPLP “mais dinâmica, mais próspera e mais orientada para os resultados concretos”, com maior circulação de investimentos, conhecimento e empresas entre os países membros.
A diplomata destacou que os países da comunidade representam mais de 300 milhões de consumidores distribuídos por quatro continentes, além de possuírem recursos naturais, população jovem e potencial de crescimento.
“A língua portuguesa constitui uma vantagem competitiva inestimável”, afirmou Inês Pedrosa, destacando que a partilha linguística reduz barreiras, facilita negócios e aproxima agentes económicos.
A embaixadora defendeu o aprofundamento do comércio dentro da CPLP e o aumento dos fluxos de investimento, através de parcerias empresariais e iniciativas conjuntas em áreas como transição energética, economia digital, infraestruturas e agricultura sustentável.
“Temos sobretudo uma vantagem que não é fácil de construir: é que nos conhecemos e nos compreendemos”, afirmou, defendendo também redes empresariais lusófonas e cadeias de valor que atravessem fronteiras.
Já o secretário de África e Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Duarte, destacou a diversificação comercial brasileira perante os atuais desafios geopolíticos e afirmou que o comércio externo contribui para a estabilidade macroeconómica.
Duarte considerou que o crescimento das relações comerciais entre Brasil e África demonstra o potencial de expansão dessa cooperação,
Como exemplo, apontou a presença da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em Lisboa e Adis Abeba como bases para um crescimento maior.
Por sua vez, o diretor-geral da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações de Moçambique, Luís Machava, reiterou que as agências de promoção dos países lusófonos precisam contribuir “de facto, ao nível de cada um de todos os países” lusófonos para o crescimento e o desenvolvimento dos seus povos.
“Nós precisamos, como um povo, como uma comunidade que não tenha barreira, ter uma visão comum”, realçou.
O Fórum das Agências de Promoção do Comércio e do Investimento da CPLP decorre hoje e quinta-feira, em Brasília, no âmbito das celebrações dos 30 anos da comunidade, reunindo representantes das instituições de promoção comercial e de investimentos dos Estados membros.
MYMA // MLL
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