
Os impactos das alterações climáticas no Canadá são já, em grande parte, irreversíveis. A conclusão consta de um novo relatório do Environment and Climate Change Canada, elaborado por quase duas dezenas de especialistas governamentais e científicos.
O estudo alerta que, mesmo num cenário em que o mundo alcance emissões líquidas nulas até 2075, o país continuará a enfrentar consequências graves. A área afetada por incêndios florestais poderá aumentar quase 50% e os glaciares do Oeste do Canadá poderão perder mais de 75% da sua massa.
Com as atuais políticas climáticas a nível mundial, a temperatura média no Canadá poderá subir cinco graus até 2100. Em grande parte de Nunavut, existe 50% de probabilidade de os invernos registarem um aumento superior a dez graus.
Os especialistas defendem que o país precisa de acelerar a adaptação. Entre as medidas apontadas estão a utilização de materiais mais resistentes ao fogo nas habitações, a criação de faixas de proteção contra incêndios e a construção de barreiras contra inundações.
O relatório prevê também secas e inundações repentinas mais frequentes e graves. O alerta surge num contexto de críticas à resposta de Ottawa aos riscos climáticos.
O Governo de Mark Carney tem sido acusado de recuar em algumas políticas ambientais, mas garante que mantém o compromisso de alcançar emissões líquidas nulas até 2050. Ottawa afirma ter destinado mais de 2,1 mil milhões de dólares à estratégia nacional de adaptação climática.
Os especialistas consideram, no entanto, que a preparação do país não acompanha a dimensão das alterações previstas.



