Banco de Moçambique prevê economia a acelerar para 5,9% em 2027

Maputo, 07 out 2026 (Lusa) – O Banco de Moçambique prevê uma aceleração do crescimento económico moçambicano para 5,9% em 2027, acima dos 4,4% projetados para este ano, antecipando ainda uma inflação de 8,52% no final de 2026.

No mais recente Relatório de Conjuntura Económica e Perspetivas de Inflação, de setembro, o banco central refere que a economia deverá continuar a recuperar gradualmente, apoiada sobretudo pelo dinamismo dos setores primário e terciário e pelo aumento da atividade associada aos grandes projetos de gás natural.

Para 2027, o cenário central do Banco de Moçambique, de crescimento de 5,9% do PIB, assenta na manutenção da estabilidade macroeconómica e na continuação da recuperação da atividade produtiva, embora essa trajetória permaneça dependente da evolução do contexto internacional, da execução dos grandes investimentos e da capacidade de recuperação de alguns setores da economia.

Trata-se de uma melhoria face ao crescimento esperado para 2026 e surge depois de a economia moçambicana ter registado uma expansão homóloga do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,7% no segundo trimestre deste ano.

O desempenho da economia no segundo trimestre foi impulsionado sobretudo pelo setor primário, com destaque para a agricultura e para a atividade extrativa. A agricultura beneficiou da normalização das condições produtivas em várias regiões do país, enquanto a indústria extrativa continuou a ser suportada pela exploração de carvão mineral e outros recursos naturais.

Entre os setores que mais contribuíram para o crescimento destacaram-se também os serviços, nomeadamente os transportes, comunicações, comércio e atividades associadas ao movimento de mercadorias e pessoas, refletindo a recuperação gradual da atividade económica.

No mesmo relatório, o banco central assinala uma evolução positiva em segmentos ligados ao alojamento e restauração, bem como noutros serviços prestados às empresas e às famílias, num contexto de melhoria da procura interna face aos períodos anteriores.

No capítulo dos preços, recorda que a inflação anual desacelerou para 7,95% em agosto, depois de ter atingido 8,46% em julho.

Apesar deste abrandamento, as expectativas dos agentes económicos apontam para uma aceleração da inflação nos próximos meses, segundo o banco central.

A instituição prevê que a inflação anual atinja 8,52% em dezembro de 2026, influenciada pelo efeito combinado do aumento dos preços internacionais de alguns produtos, da dissipação dos efeitos favoráveis associados à época fresca e de outros fatores de origem externa.

Ainda assim, a autoridade monetária espera que, numa perspetiva de médio prazo, a inflação volte a desacelerar, beneficiando da manutenção da política monetária e da estabilidade do mercado cambial.

A análise do banco central indica igualmente que as expectativas inflacionistas permanecem condicionadas pela evolução dos preços internacionais, pelos custos logísticos globais e pela situação geopolítica internacional.

PVJ // SB

Lusa/Fim