
Caracas, 03 out 2026 (Lusa) – A Justiça venezuelana absolveu o jornalista Rory Branker, acusado de terrorismo, conspiração, traição à pátria, entre outros crimes, indicou na sexta-feira o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP).
“O Segundo Tribunal de Julgamento com competência em matéria de terrorismo proferiu, neste dia 02 de outubro [sexta-feira], uma sentença de absolvição no caso de Rory Branker, editor do La Patilla. A decisão devolve-lhe a plena liberdade”, escreveu o SNTP numa mensagem na rede social X.
A absolvição de Branker junta-se à dos jornalistas Luis López e Gabriel González, cujos processos por alegados crimes de instigação e incitação ao ódio, entre outros delitos, foram arquivados na quarta-feira.
Branker foi detido em 20 de fevereiro de 2025 e, entre os motivos da detenção, figurava uma publicação partilhada na X sobre as recompensas então oferecidas pelo Departamento de Estado norte-americano por informações que levassem à captura de Nicolás Maduro, do ministro do Interior, Diosdado Cabello, e do ministro da Agricultura, Vladimir Padrino, então titular da Defesa, indicou o SNTP.
“Foram-lhe imputadas as acusações de traição à pátria, financiamento do terrorismo, conspiração, terrorismo e associação para cometer crimes. A 04 de fevereiro de 2026, foi libertado, após passar 11 meses e 15 dias detido. Desde então, continuou sujeito a um regime de comparência periódica e à proibição de sair do país”, acrescentou.
As recentes absolvições surgem depois de, na passada sexta-feira, o chefe de negociações do Governo no diálogo com um setor da oposição, Jorge Rodríguez, ter prometido o levantamento das medidas cautelares impostas aos jornalistas que enfrentavam processos judiciais.
Rodríguez afirmou, na altura, que esta medida se inseria nos acordos alcançados em matéria de liberdade de expressão no segundo ciclo do diálogo impulsionado pelos Estados Unidos.
Ainda há dois jornalistas com processos em aberto — Jonathan Carrillo e Carlos Julio Rojas — que têm de se apresentar periodicamente perante a Justiça e continuam sujeitos a restrições decorrentes dos processos, recordou o SNTP.
A Venezuela ocupou o último lugar entre os 23 países avaliados no Índice Chapultepec de Liberdade de Expressão e de Imprensa 2025, de acordo com um relatório divulgado em março pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que analisa as condições para o exercício do jornalismo nas Américas.
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