Confiança das empresas moçambicanas recuperou pela primeira vez em quase dois anos – INE

Maputo, 02 out 2026 (Lusa) – A confiança das empresas moçambicanas recuperou pela primeira vez em quase dois anos no terceiro trimestre, interrompendo uma sequência de sete trimestres consecutivos de queda, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

O Indicador de Clima Económico (ICE) do terceiro trimestre, que mede a confiança empresarial, subiu de 87,4 pontos no segundo trimestre para 87,8 pontos entre julho e setembro deste ano, de acordo com o relatório do INE.

O resultado interrompe uma trajetória de deterioração iniciada após o segundo trimestre de 2024 e marca a primeira melhoria do indicador desde então.

Segundo o relatório, a recuperação foi “influenciada pela melhoria das perspetivas de emprego e da procura”, dois dos principais componentes do indicador.

Apesar da subida, o ICE permanece abaixo da média histórica da série, fixada em 98,8 pontos.

O indicador tinha registado 89,8 pontos no terceiro trimestre de 2025, descendo depois para 88,7 pontos no quarto trimestre daquele ano, para 87,8 pontos no primeiro trimestre de 2026 e para 87,4 pontos no segundo trimestre, antes da ligeira recuperação agora observada.

O documento assinala que o comportamento do clima económico refletiu evoluções distintas entre os principais setores de atividade.

Nos serviços, o indicador de confiança aumentou de 100,6 para 101,7 pontos, consolidando a recuperação iniciada no trimestre anterior e mantendo-se acima da média histórica do setor.

Já na indústria, a confiança empresarial recuperou ligeiramente, passando de 89,8 para 90,0 pontos, após dois trimestres consecutivos de queda.

No comércio, apesar da melhoria de 71,0 para 72,3 pontos, o setor continua a apresentar o nível de confiança mais baixo da economia e mantém-se significativamente abaixo da média histórica.

Segundo o INE, a recuperação do clima económico foi acompanhada por um novo aumento das expectativas relativas à procura.

“O indicador de expectativa da procura registou melhorias progressivas pelo quarto trimestre consecutivo”, refere o relatório.

O respetivo saldo passou de 91,6 para 92,4 pontos, impulsionado pela avaliação positiva das empresas dos setores dos serviços e pela recuperação observada na indústria e no comércio.

Também as perspetivas de emprego melhoraram no terceiro trimestre, com o indicador correspondente a aumentar de 81,1 para 82,9 pontos, prolongando a tendência de recuperação observada desde o início do ano, embora continue abaixo da média histórica de 98,6 pontos.

“Essa situação favorável do emprego futuro foi influenciada pela avaliação positiva do indicador nos setores de comércio e de serviços”, assinala igualmente o documento.

As perspetivas de preços de bens e serviços também registaram melhorias com o indicador a passar de 102,6 para 104,7 pontos, assinalando o terceiro trimestre consecutivo de recuperação e mantendo-se acima da média histórica da série.

Paralelamente, os obstáculos à atividade empresarial diminuíram, com a percentagem de empresas que reportaram enfrentar algum constrangimento a cair de 49,8% no segundo trimestre para 44,7% entre julho e setembro, uma redução de 5,1 pontos percentuais.

Ainda assim, quase metade das empresas continua a enfrentar dificuldades no exercício da atividade, sendo a indústria o setor mais afetado, com cerca de 55% das empresas a reportarem constrangimentos.

Entre os principais obstáculos apontados pelas empresas destacam-se dificuldades de mercado, insuficiência de procura, problemas de acesso a financiamento, custos operacionais e limitações associadas ao ambiente de negócios.

Os dados surgem numa altura em que a economia moçambicana procura recuperar dos efeitos da instabilidade social registada no final de 2024, dos impactos climáticos recorrentes e dos constrangimentos enfrentados por vários setores produtivos.

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