Borboletas criam com as asas poderosa ilusão de ótica para escapar aos predadores

Madrid, 01 out 2026 (Lusa) – O voo e o padrão das asas de uma borboleta combinam-se para criar poderosas ilusões de ótica que alteram a perceção de velocidade e direção do predador, fazendo com que este falhe o alvo dos seus ataques.

A conclusão de um estudo liderado pelas universidades britânicas de Exeter e Essex foi publicada na revista Nature, noticiou na quarta-feira a agência Efe.

Segundo os investigadores, os resultados ajudam a resolver um enigma antigo: as borboletas têm padrões chamativos que as fazem destacar-se, mas surpreendentemente poucos predadores se especializam em capturá-las em pleno voo.

As traças, por outro lado, são caçadas por uma grande variedade de predadores guiados pela visão.

As riscas e as manchas nas asas de muitas borboletas interferem com a forma como os sistemas visuais tentam estimar a direção e a velocidade dos objetos em movimento, gerando falsos sinais de deslocamento e, ao mesmo tempo, ocultando a trajetória real da borboleta, explicou em comunicado George Hancock, do Centro de Ecologia e Conservação da Universidade de Exeter.

Estas ilusões interferem com o sistema básico de focagem visual do predador e perturbam o “ataque balístico” final, aquele momento, de algumas dezenas de milissegundos, em que o predador se compromete a capturar a presa e já não tem tempo para mudar de rumo.

“Como resultado, as aves e outros predadores acabam frequentemente por falhar o bote”, acrescentou o cientista.

O mecanismo subjacente funciona de forma muito semelhante à “ilusão do poste de barbeiro”, aquele poste com riscas vermelhas, azuis e brancas que se encontra na frente das barbearias, onde as linhas parecem mover-se para cima, embora o poste apenas gire em torno do seu próprio eixo.

As asas das borboletas deformam-se ao voar, chocando durante o movimento ascendente e separando-se no descendente, de modo que o ângulo das suas faixas muda e apontam em diferentes direções enquanto batem as asas, apontou Jolyon Troscianko, também de Exeter.

“Em combinação com as suas trajetórias de voo imprevisíveis, este padrão cria ilusões de movimento enganadoras, semelhantes às do poste de barbeiro, o que faz com que um predador falhe completamente o alvo ou atinja uma parte menos vulnerável da asa, como a asa traseira ou a cauda”, acrescentou.

Para chegar às suas conclusões, os investigadores utilizaram diferentes técnicas, incluindo simulações computacionais e uma câmara de alta velocidade para filmar borboletas reais a levantar voo a mais de 1.000 frames por segundo, de forma a captar como os seus padrões se comportam em voo, tal como são vistos pelos olhos de um pássaro.

As simulações indicaram que características como riscas verticais de alto contraste, bandas únicas e caudas nas asas posteriores estavam associadas a uma maior confusão visual.

“O nosso estudo oferece uma forma verdadeiramente nova de analisar a visão do movimento, e acreditamos que este tipo de confusão visual é provavelmente muito mais generalizado na natureza do que se pensava, desde o bater de asas das aves até aos movimentos rápidos da cauda dos lagartos e dos peixes. Isto abre uma nova e fascinante linha de investigação”, acrescentou Troscianko.

DMC // RBF

Lusa/Fim