
Maputo, 30 set 2026 (Lusa) – O governador do Banco de Moçambique considerou hoje que a descida do ‘rating’ soberano reflete os desequilíbrios económicos e o elevado endividamento do país, mas acredita que reformas fiscais e mais exportações vão inverter essa tendência.
“Neste momento o ‘rating’ não é favorável, ele traduz dificuldades acrescidas para acesso ao financiamento do mercado internacional, mas estamos convencidos que com as reformas que possam ser implementadas podemos reverter a situação”, disse Felisberto Navalha.
O governador respondia aos jornalistas no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), poucos dias depois de a agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) ter descido a classificação de risco de Moçambique de CCC+ para CCC, argumentando que aumenta a probabilidade de o país ter de reestruturar a dívida externa devido às pressões orçamentais e de liquidez.
“A probabilidade de Moçambique reestruturar o seu único Eurobond em circulação, com vencimento em 2031, está a aumentar num contexto de fortes pressões de liquidez orçamental e cambial”, escreveu a S&P na nota que acompanhou a decisão.
Questionado sobre esta avaliação, Navalha admitiu que a deterioração do ‘rating’ acompanha problemas estruturais que a economia moçambicana enfrenta há vários anos.
“O ‘rating’ baixou e vem baixando já há bastante tempo fruto das dificuldades que o nosso país está a enfrentar, fruto dos desequilíbrios que a nossa economia tem a nível interno”, afirmou.
Segundo o governador, esses desequilíbrios refletem-se no risco fiscal, no abrandamento da atividade económica e na acumulação de dívida pública.
“Traduzem aquilo que acontece na produção interna, que não está ao nível que esteve nos 10 anos anteriores, quando a economia crescia a 7%, agora crescemos a quase 3%, com uma taxa de crescimento populacional de 2,6%, praticamente a economia, a taxa natural de crescimento, está muito, muito, muito baixa, fruto do endividamento público”, declarou.
Para o governador, empossado este mês no cargo, a avaliação das agências de notação financeira resulta precisamente da análise destes indicadores macroeconómicos e fiscais.
Considerou que a decisão da S&P traduz sobretudo uma perceção de aumento do risco relativamente à capacidade futura de pagamento da dívida: “Esta revisão em baixa traduz esta aparente ou esta possível dificuldade do país honrar os seus compromissos”.
A S&P considera que a análise de sustentabilidade da dívida atualmente em preparação pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) será determinante para avaliar a necessidade de uma eventual reestruturação da dívida externa moçambicana antes do início das amortizações do Eurobond, previstas para março de 2028.
A agência argumenta igualmente que os benefícios económicos dos megaprojetos de gás natural liquefeito deverão materializar-se apenas depois de 2030, enquanto persistem dificuldades relacionadas com a liquidez orçamental, atrasos em pagamentos internos e a suspensão do programa com o FMI em 2025.
Apesar deste cenário, Navalha mostrou confiança na capacidade do país para melhorar os indicadores económicos e restaurar a confiança dos investidores.
“Estou convicto que o país, embargando em reformas que visam a consolidação fiscal, havendo condições de maior exportação e acumulação de mais reservas, nós podemos inverter o risco do país e ter cada vez mais acesso aos mercados financeiros internacionais, que é para poder financiar a nossa economia”, afirmou.
O governador reconheceu, contudo, que a atual classificação penaliza o acesso de Moçambique ao financiamento externo.
Ainda assim, insistiu que a adoção de reformas económicas e orçamentais poderá permitir uma recuperação gradual da avaliação do país.
“Estamos convencidos que com as reformas que possam ser implementadas podemos reverter a situação”, concluiu.
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