Mariana Leitão critica postura de Montenegro sobre buscas do PM na PJ e pede esclarecimentos

Lisboa, 25 set 2026 (Lusa) – A presidente da IL criticou hoje a postura do primeiro-ministro e da ministra da Justiça sobre as buscas do Ministério Público à Polícia Judiciária (PJ), defendendo que “os portugueses precisavam de saber” o que o Governo está a fazer.

Mariana Leitão falava aos jornalistas à entrada da rentrée do Núcleo Territorial de Lisboa da IL, após ser questionada sobre as buscas, por parte do Ministério Público, às instalações da PJ, na quarta-feira, a propósito de um processo que envolve o atual diretor desta polícia, Carlos Cabreiro.

A líder da IL afirmou não querer comentar investigações em curso, frisando que “o Ministério Público está a fazer o seu trabalho”, mas disse ficar espantada com o que considera ser um “silêncio total e absoluto por parte da ministra da Justiça e até por parte do primeiro-ministro”.

Mariana Leitão argumentou que a PJ está na tutela do Ministério da Justiça e que a ministra Rita Alarcão Júdice tem de vir “explicar o que está em causa” e pediu também esclarecimentos do líder do Governo, Luís Montenegro.

Questionada sobre o facto de a governante com a tutela da Justiça já ter manifestado a sua confiança em Carlos Cabreiro, a líder da IL disse esperar uma posição “mais contundente, mais firme” sobre o caso.

“Temos neste momento o diretor nacional [da PJ] a ser investigado e a ministra da Justiça limita-se a dizer que mantém a confiança na pessoa em causa. O que é que se está a passar dentro da Polícia Judiciária?”, questionou.

Mariana Leitão considerou que a Judiciária é uma instituição “profundamente afetada por um conjunto de casos” ocorridos ao longo dos últimos meses e argumentou que os portugueses devem também saber o que é que o Governo está a fazer sobre este caso.

“Eu penso que os portugueses precisavam de saber o que é que se está a passar dentro da Polícia Judiciária, o que é que o governo está a fazer relativamente a esta matéria. Era importante que esses esclarecimentos fossem dados, quer pela senhora ministra da Justiça, mas também pelo primeiro-ministro. Estamos a falar da principal polícia de investigação criminal”, enfatizou.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro desejou hoje que as buscas efetuadas na Polícia Judiciária pelo Ministério Público possam contribuir para que “rapidamente a situação possa ser clarificada” e resultem numa maior confiança da sociedade nas instituições.

Na quinta-feira, a ministra da Justiça afirmou que as diligências do Ministério Público “não afetam a confiança no Diretor Nacional da PJ”.

O MP realizou quarta-feira buscas na PJ relacionadas com o inquérito que está a decorrer após uma denúncia de suspeita de que o diretor nacional da PJ cometeu em tribunal falsas declarações e abuso de poder em alegadas escutas relacionadas com o processo “Football Leaks”.

 

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