
Ancara, 25 set 2026 (Lusa) – A Turquia classificou hoje como infundadas as declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que, num discurso na Assembleia Geral da ONU, acusou o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de ser “um tirano”.
Os ataques de Netanyahu não podem “fazer esquecer os seus massacres, a catástrofe humanitária em Gaza e os processos iniciados com base no direito internacional”, declarou o diretor de comunicação do Governo de Ancara, Burhanettin Duran, em comentários divulgados pela agência de notícias oficial turca Anadolu.
Na quinta-feira, Benjamin Netanyahu disse, durante a intervenção no 81.ª debate geral das Nações Unidas, que “o mais recente país a tornar-se um grande propagador de mentiras antissemitas é a Turquia”.
O primeiro-ministro israelita acusou ainda o líder turco de deter “o recorde mundial” de detenção de jornalistas e líderes da oposição, negar o genocídio na Arménia, ocupar “ilegalmente o norte de Chipre, membro da UE”, de querer apoderar-se da Síria – país que faz fronteira com Israel -, de violar “regularmente os direitos da Grécia, membro da NATO”, e de querer governar Jerusalém.
“Não, senhor, não vai. Este é o nosso país, a nossa cidade, a nossa capital eterna”, acrescentou Netanyahu, referindo-se à cidade sagrada, contestada pelos palestinianos como capital de um futuro Estado.
“Tiranos de todo o mundo tentam ameaçar-nos. Pretendem minar a nossa determinação com a sua campanha de mentiras. Mas, em última análise, como no campo de batalha, o povo judeu prevalecerá”, disse o líder israelita.
As tensões entre a Turquia e Israel têm vindo a aumentar desde o ataque do Hamas a Israel em outubro de 2023, após o qual Erdogan tem demonstrado repetidamente o seu apoio aos palestinianos e denunciado a morte de civis em Gaza.
Netanyahu acusou a Turquia de uma alegada tentativa de deslocar tropas para um aeroporto militar em Idlib, no noroeste da Síria, o que levou Israel a bombardear o aeroporto na madrugada de 19 de agosto.
Tanto a Turquia como a Síria negam que tal deslocação fosse realizar-se.
Netanyahu respondeu ainda ao Presidente interino sírio, Ahmad Al-Sharaa, que na quarta-feira, durante o seu discurso na Assembleia Geral da ONU, reiterou a soberania de Damasco sobre os Montes Golã.
Israel mantém um contingente militar nesta zona estratégica e na quinta-feira, Netanyahu usou a Bíblia para justificar a soberania de Israel sobre a região montanhosa.
No seu discurso, Al-Sharaa disse que embora o mundo tenha “aplaudido o regresso” da Síria, Israel continua a atacar o país.
O líder sírio denunciou pelo menos “500 ataques aéreos, mais de 1.200 incursões e cerca de 300 detenções” em território sírio perpetradas por Israel.
“Isto está em contradição com a orientação que temos a nível mundial, julgávamos que esta era tinha terminado”, continuou, exigindo a “retirada das forças israelitas”.
“A guerra ensinou-nos que a verdade é forte e que a falsidade é fraca. A Síria continuará a sua reconstrução”, continuou Al-Sharaa, referindo-se à guerra civil (2011-2024) que assolou o país e em que participou como então líder do grupo islamita sírio Organização de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al-Sham ou HTS, em árabe), que derrubou o regime do ex-presidente sírio Bashar al-Assad, a 08 de dezembro de 2024.
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