
Nova Iorque, 24 set 2026 (Lusa) – O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, considerou hoje “muito improvável” uma invasão russa contra qualquer país da Aliança Atlântica, mas alertou para a necessidade de evitar ingenuidades perante o reforço militar da Rússia.
“Mais lhes vale [aos russos] não o fazerem, porque sabem que estamos preparados e que não sairiam vitoriosos”, advertiu Rutte, ao comentar as conclusões de um relatório do serviço de informações militares (FE) da Dinamarca sobre a ameaça russa.
O FE avaliou como improvável que Moscovo veja vantagem em invadir um país vizinho membro da NATO, sem contudo afastar essa hipótese.
Alertou também para um risco crescente, embora ainda reduzido, de ações militares limitadas da Rússia contra aliados e para a intensificação de ataques híbridos nos próximos meses, motivada pelo apoio ocidental à Ucrânia.
“Acho que os serviços de informações dinamarqueses têm razão. É muito improvável [uma invasão]”, declarou Rutte durante um debate no Memorial e Museu do 11 de Setembro, em Nova Iorque.
Ainda assim, o chefe da Aliança afirmou que a Rússia “está a aumentar enormemente a produção [militar] e as forças armadas”, notando que a base industrial geral russa está hoje mobilizada para o esforço de guerra.
“Isto é algo que ainda temos de desenvolver mais na Europa e nos Estados Unidos”, defendeu.
Perante as advertências dos serviços secretas europeus, o antigo primeiro-ministro dos Países Baixos pediu calma aos aliados, alegando que o Presidente russo, Vladimir Putin, está em má situação.
“Não está a ganhar a guerra na Ucrânia (…). Acho que está prestes a entrar em pânico”, afirmou, citando estimativas que apontam para até 43.000 baixas russas — entre mortos e feridos graves — por mês no campo de batalha.
Rutte considerou que Putin “não pode estar contente” mais de quatro anos e meio depois da invasão da Ucrânia, face às baixas e ao impacto económico do que descreveu como “um erro estratégico”.
Garantiu também que a NATO vai continuar a reforçar a capacidade defensiva e o apoio a Kiev, e assegurou que a organização dispõe de “todas as opções de resposta” perante ameaças híbridas.
Rutte alertou ainda para a cooperação reforçada da Rússia com a Coreia do Norte, Irão, China e Bielorrússia, sublinhando a interligação entre a segurança europeia e o Indo-Pacífico.
“Se alguma vez ocorresse um incidente no Pacífico, não se limitaria apenas ao Pacífico. Significará que, ao mesmo tempo, Vladimir Putin atuará de alguma forma para tentar avançar contra o território da NATO na Europa”, afirmou.
Acrescentou ser essa a razão de a NATO manter uma relação próxima com a Coreia do Sul, o Japão, a Austrália e a Nova Zelândia, com uma troca de informação que disse ser constante.
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