
Lisboa, 23 set 2026 (Lusa) — A coreógrafa portuguesa Tânia Carvalho foi nomeada diretora artÃstica do BallettVorpommern, na Alemanha, a partir da temporada 2027/28, sucedendo a Ralf Dörnen, que dirigiu a companhia durante mais de três décadas, foi hoje anunciado.
A artista foi escolhida na sequência de um processo de seleção internacional que recebeu cerca de 70 candidaturas de vários paÃses europeus, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão, segundo informação divulgada pelo coletivo agência 25.
Tânia Carvalho assumirá a direção da companhia de dança do Theater Vorpommern, que atua nas cidades alemãs de Greifswald, Straslund e Putbus e é constituÃda por 12 intérpretes.
Além de criar obras, a coreógrafa portuguesa terá como missão dar continuidade à diversidade estilÃstica da companhia e reforçar as suas ligações nacionais e internacionais.
O diretor artÃstico do Theater Vorpommern, Rolf C. Hemke, afirmou estar “extremamente satisfeito e orgulhoso” com a nomeação de Tânia Carvalho, que descreveu como um artista de “sólida projeção internacional” e com “uma voz coreográfica profundamente singular”.
“O nosso objetivo é preservar a amplitude distintiva da companhia, entre o ballet clássico e a dança contemporânea, desenvolvendo-a simultaneamente em novas direções artÃsticas. Tânia Carvalho representa precisamente esta combinação entre continuidade e uma nova voz artÃstica”, afirmou, citado no comunicado.
A coreógrafa portuguesa sucede a Ralf Dörnen, que esteve à frente do BallettVorpommern durante mais de três décadas, num perÃodo que a direção do teatro considera determinante para a história da companhia.
Nascida em Viana do Castelo, Tânia Carvalho desenvolve desde a década de 1990 um percurso que cruza dança, música, desenho e cinema, tendo criado obras para várias companhias portuguesas e estrangeiras, entre as quais a Companhia Nacional de Bailado, a Companhia Paulo Ribeiro, o Ballet da Ópera de Lyon, o Ballet Nacional de Marselha, a Dançando com a Diferença e o Ballet Contemporâneo do Norte.
Em 2024, criou “Mysterious Heart” para a Tanzmainz e, este ano, está a desenvolver uma criação para o Ballet de l’Ópera du Rhin, tendo também criado “La roue” para o Jeune Ballet.
Algumas das suas obras passaram igualmente a integrar o repertório de companhias estrangeiras, como foi o caso da ZfinMalta, que remontou “A tecedura do caos”, em 2021, e do Ballet Nacional de Marselha, que recuperou, no ano seguinte, “Xilografia” e o solo “Como se pudesse ficar ali para sempre”.
Formada em dança contemporânea pelo Fórum Dança e em coreografia pela Fundação Calouste Gulbenkian, Tânia Carvalho foi cofundadora, em 1997, do coletivo Bomba Suicida, que integrou até 2014, passando depois a produzir as suas criações em nome próprio.
Paralelamente à coreografia, desenvolve trabalho nas áreas da composição musical, cinema e desenho e, em 2023, editou o primeiro álbum, “Music for versa-vice”.
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