Irão: Trump descreve “reunião muito boa” com iranianos após ameaçar “aniquilar” República Islâmica

Nações Unidas, Nova Iorque, 22 set 2026 (Lusa) – O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descreveu hoje como “muito boa” a reunião realizada entre representantes norte-americanos e iranianos, pouco depois de ter ameaçado “aniquilar” a República Islâmica durante o seu discurso na assembleia-geral da ONU.

Trump confirmou as conversações em declarações aos jornalistas à margem do encontro anual de líderes mundiais em Nova Iorque, sem fornecer detalhes sobre as discussões e os seus protagonistas.

A reunião durou três horas, segundo o líder norte-americano, que falava durante uma conferência de imprensa com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, indicando apenas que está previsto “num futuro muito próximo” um “novo encontro” com a delegação iraniana.

“Estou muito satisfeito”, disse pelo seu lado o enviado norte-americano Steve Witkoff, falando ao lado de Donald Trump, sobre as discussões com os representantes iranianos.

Jared Kushner, genro do Presidente norte-americano, que também participou nas negociações com Teerão antes de estas serem interrompidas em junho, também estava na sala, de acordo com a agência France-Presse (AFP).

Poucas horas antes, durante o seu discurso na assembleia-geral da ONU, Donald Trump disse que tinha de escolher entre “aniquilar” o Irão ou chegar a um acordo, prevendo que uma solução diplomática seria encontrada após as eleições intercalares para o Congresso norte-americano, previstas para o início de novembro.

 Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, com mediação de países do Médio Oriente, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego marítimo e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.

No entanto, as partes voltaram aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses expirou.

A par do recomeço das hostilidades, os Estados Unidos anunciaram uma “guerra económica” que visa asfixiar o Irão, através de sanções a indivíduos e entidades que estabeleçam relações comerciais com a República Islâmica.

O Irão exige que os Estados Unidos voltem aos compromissos assumidos no memorando e tem reiterado que a ameaça militar no estreito de Ormuz só será levantada em troca do fim da guerra em todas as frentes e do fim do bloqueio norte-americano.

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