
Madrid, 21 set 2026 (Lusa) – As Forças de Defesa de Israel (FDI) acusaram hoje o Hamas de «violação flagrante» do cessar-fogo em Gaza, e responderam com ataques a instalações do movimento islamita palestiniano, que terão feito 3 feridos, segundo a imprensa no enclave.
Em comunicado, as IDF afirmaram que atacaram “infraestruturas” do Hamas “em resposta à detonação de um engenho explosivo” por um veÃculo militar de engenharia que circulava na “linha amarela” que separa o território controlado pelos dois beligerantes.
O incidente não fez vÃtimas, segundo a mesma fonte.
O Exército israelita classificou o sucedido como uma “violação flagrante do acordo de cessar-fogo por parte da organização terrorista Hamas”.
O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, afirmou que as acusações israelitas “visam justificar as violações da ocupação e a escalada da sua agressão” e reiterou que o movimento islamita mantém “o compromisso com o acordo de cessar-fogo, em contraposição à s contÃnuas violações do mesmo por parte da ocupação”.
Segundo informações do jornal palestiniano ‘Filastin’, já esta noite três pessoas ficaram feridas na sequência de um bombardeamento israelita contra uma residência no bairro de Al Tuffa, a leste da cidade de Gaza.
A primeira fase do plano de paz para Gaza, apoiado pelos EUA e acordado entre Israel e o Hamas em outubro de 2025, centrou-se num cessar-fogo militar imediato e na troca de prisioneiros por reféns, sendo mediado pelos EUA, Qatar, Egito e Turquia.
Embora a primeira fase tenha estabelecido uma suspensão temporária das hostilidades, questões complexas relativas à governação permanente, à segurança a longo prazo e ao desarmamento completo do Hamas foram adiadas para fases subsequentes do acordo.
O lÃder do Hamas, Jalil al Haya, alertou para o agravamento da situação na Faixa de Gaza e apelou ao fim imediato da escalada dos ataques e o cumprimento rigoroso das obrigações acordadas na primeira fase do plano de paz.
Segundo informou a organização num comunicado citado pelo jornal ‘Filastin’, Al Haya transmitiu aos mediadores e a governos aliados a sua preocupação perante o escalar dos ataques durante o conflito.
O Hamas denunciou que o recomeço dos ataques seletivos e das operações militares, que afirma estenderem-se à Cisjordânia e aos acessos à mesquita de Al Aqsa, prejudica as perspetivas de estabilização e viola os compromissos multilaterais relativos à recuperação e reconstrução.
Nesse sentido, al Haya instou as partes mediadoras, os representantes do Egito e do Qatar, a exercerem a pressão necessária para autorizar de imediato a entrada de material de resgate e de assistência.
Por seu lado, os paÃses mediadores reafirmaram durante as conversações o seu compromisso de manter a assistência de emergência à população civil e garantiram que prosseguirão os esforços diplomáticos junto dos atores com capacidade de influência para assegurar a aplicação integral do acordo formulado pela Casa Branca.
A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que causou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, que não distinguem civis de combatentes do movimento islamita, considerado terrorista por Israel, União Europeia, Estados Unidos e diversos outros paÃses.
Desde o inÃcio do atual cessar-fogo, acordado em outubro do ano passado, as autoridades da Faixa de Gaza contabilizaram mais de 1.300 palestinianos mortos em ataques das forças israelitas, não detalhando quantos eram combatentes do Hamas.
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