
Luanda, 21 set 2026 (Lusa) — A greve nacional de professores angolanos arrancou hoje conforme previsto, com um nÃvel de adesão que ronda os 100%, avançou à lusa fonte sindical.
Em declarações à Lusa, o secretário-geral do Sindicato Nacional de Professores (Sinprof) angolano, Admar Jinguma, referiu que “a greve é um facto”, salientando que “na maioria das provÃncias o nÃvel [de adesão] está a rondar os 100%”.
O Sinprof convocou quatro perÃodos de greve, o primeiro para 21 de setembro, em protesto contra o alegado incumprimento do acordo celebrado com o executivo, em janeiro.
“Aqui em Luanda não há literalmente aulas em nenhuma instituição pública e público-privada de ensino, as outras provÃncias também já temos a fotografia através das imagens que estão a chegar, a greve é efetiva”, referiu Admar Jinguma.
Segundo o sindicalista, na quarta-feira foi realizado o último encontro entre as partes, mas não foi alcançado nenhum entendimento, nos pontos que ainda dividem professores e o Ministério a Educação, os dois primeiros do caderno reivindicativo.
“Estão relacionados com a progressão na carreira dos agentes e o nivelamento das carreiras e gestão do perfil académico, são esses os pontos que ainda nos dividem, não temos qualquer aproximação”, disse.
Admar Jinguma avançou que estava previsto um encontro para sábado, mas os professores entenderam não reunir nesse dia, estando disponÃveis para reunir a partir de hoje.
A greve, subdividida em quatro fases, tem a primeira programada para o perÃodo entre 21 de setembro e 15 de outubro, a segunda para o perÃodo entre 02 e 18 de dezembro, a terceira para o perÃodo entre 10 e 26 de fevereiro de 2027, e a quarta para o perÃodo entre 17 de maio e 18 de junho de 2027.
No anúncio da greve, o sindicato avançou que “face aos incumprimentos e à violação dos termos do acordo celebrado a 8 de janeiro”, o Conselho Nacional do Sinprof decidiu decretar greve no ensino geral, técnico-profissional, formação de professores e educação de adultos.
Na reunião de onde saiu a decisão da greve, a presidente do Sinprof, HermÃnia Maria da Conceição Ferreira do Nascimento, citada no comunicado, afirmou que “o professor angolano está cansado de promessas não cumpridas”.
“Há três décadas que reivindicamos as mesmas questões, e é chegada a hora de respostas concretas”, apontou.
Antes da greve as partes realizaram alguns encontros, mas sem resultados positivos.
Na reunião de sábado, para a qual o Sinprof se manifestou indisponÃvel a participar, em declarações à imprensa o secretário de Estado para o Trabalho e Segurança Social, Pedro Filipe, enumerou um conjunto de ações já realizadas pelo Governo, considerando que foram já cumpridas integralmente as reivindicações apresentadas pelos professores.
Pedro Filipe referiu que o caderno reivindicativo apresentado em janeiro tinha nove pontos, entre os quais se destacava o processo de promoção de categoria de 53.755 agentes, que ficaram fora do processo em 2024.
O governante angolano realçou que, no próximo mês, inicia a primeira fase deste processo, que prevê abranger 27.000 agentes da educação, dos quais professores e funcionários administrativos, admitidos entre 2017 e 2018, enquanto os que foram admitidos, entre 2019 e 2020, começam a ver as suas categorias atualizadas no primeiro trimestre de 2027.
De acordo com Pedro Filipe, foi também atendida a exigência sobre o processamento do subsÃdio de férias em folhas separadas, para redução da carga tributária, a distribuição dos manuais escolares, o reforço orçamental para as escolas e o pagamento integral do 13.º mês, bem como do prémio de exame aos detentores de cargos de direção e chefia.
Para o governante angolano, não há fundamento para se avançar com a greve, que arrancou hoje e decorre até 15 de outubro, nesta primeira fase.
“Não saia de casa. A greve não se faz no local de trabalho. Deixe o local de trabalho à s moscas. O único professor que lá estará será o piquete de greve, que estará à entrada da escola”, apela a direção do Sinprof numa mensagem aos professores.
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