
Maputo, 21 set 2026 (Lusa) — A produção de grafite em Moçambique, mineral utilizado no fabrico de baterias para carros elétricos, quase quadruplicou no primeiro semestre de 2026, para 25.474 toneladas, superando já em 72% a meta anual fixada pelo Governo.
De acordo com dados do Governo da execução de janeiro a junho, compilados hoje pela Lusa, trata-se de um aumento de 278%, face à produção de 6.734 toneladas no perÃodo homólogo de 2025 e representa 172% do plano anual definido para este ano, que era de 14.815 toneladas.
Segundo o documento governamental, o desempenho resulta ainda da “consistência operacional do maior produtor deste mineral e a entrada no mercado de uma nova empresa em Niassa, fatores que impulsionaram o aumento da produção”.
Os dados confirmam a recuperação de um setor que atravessou vários constrangimentos operacionais nos últimos anos e que é considerado estratégico para a cadeia global de produção de baterias para veÃculos elétricos.
Em 2025, a produção nacional de grafite já tinha praticamente duplicado, aumentando 92% para 67.078 toneladas, face às 34.899 toneladas registadas em 2024.
A recuperação ocorreu após dois anos de forte contração da atividade, tendo em conta que, segundo dados anteriormente divulgados pelo Governo, a produção de grafite atingiu um máximo histórico de 165.946 toneladas em 2022, antes de recuar para 97.346 toneladas em 2023 e cair novamente para 34.899 toneladas em 2024.
Entre os principais produtores destaca-se a mina de Balama, na provÃncia de Cabo Delgado, operada pela australiana Syrah, considerada uma das maiores explorações de grafite natural do mundo fora da China.
Resultados semestrais divulgados pela empresa em agosto mostram que a recuperação operacional da mina prosseguiu em 2026. Entre janeiro e junho, a produção bruta atingiu cerca de 25.800 toneladas de grafite, quase quatro vezes acima das 6.500 toneladas registadas no mesmo perÃodo de 2025, enquanto as vendas e expedições para clientes totalizaram aproximadamente 26.600 toneladas, face a 1.800 toneladas um ano antes.
A mineradora assinala que os resultados ficaram acima dos registados no perÃodo homólogo, fortemente afetado pela paralisação prolongada das operações, embora admita que a atividade continua condicionada pela procura moderada de grafite natural fora da China e pela pressão decorrente do excesso de oferta mundial e da concorrência de produtores chineses.
A Syrah destacou igualmente os progressos da unidade de Vidalia, no estado norte-americano da Louisiana, destinada à produção de material anódico ativo, um componente utilizado nas baterias de veÃculos elétricos. Durante o primeiro semestre, a instalação produziu cerca de 150 toneladas daquele material para processos de qualificação junto de clientes e demonstração das capacidades industriais da unidade.
Segundo a empresa, as primeiras vendas comerciais de material anódico produzido nos Estados Unidos com grafite extraÃdo em Moçambique deverão arrancar ainda no atual semestre, num passo considerado essencial para a expansão do projeto.
A Syrah pretende combinar a produção de grafite da mina de Balama com o fabrico de materiais para baterias nos Estados Unidos, num contexto em que governos e fabricantes automóveis procuram diversificar as cadeias de abastecimento e reduzir a dependência da China.
Em janeiro deste ano, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, inaugurou na provÃncia de Niassa uma fábrica de processamento de grafite de capital chinês avaliada em cerca de 200 milhões de dólares (171 milhões de euros), que vai transformar localmente o minério destinado a aplicações industriais de maior valor acrescentado.
Localizada no distrito de Nipepe, a unidade possui capacidade instalada para processar até 200 mil toneladas por ano e emprega mais de mil trabalhadores, prevendo ultrapassar os dois mil empregos na capacidade máxima.
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