PS pede audição urgente de Fernando Alexandre sobre alunos sem vagas nas escolas

Lisboa, 20 set 2026 (Lusa) — O PS pediu hoje a audição parlamentar urgente do ministro da Educação para dar explicações sobre os alunos sem vagas nas escolas, considerando que esta é uma “situação grave” e que os responsáveis políticos “têm de ser responsabilizados”.

“Chegamos ao princípio do ano letivo com uma situação inédita em décadas que é a de pelo menos mais de mil alunos, na área de Lisboa em particular, mas também com focos noutros pontos do país, sem colocação na escola. Do nosso ponto de vista, isto é grave, tem de ser explicado”, criticou, em declarações à agência Lusa, o deputado e dirigente do PS Miguel Cabrita.

De acordo com os socialistas, Fernando Alexandre tem de explicar no parlamento “quantos alunos exatamente estavam nesta circunstância”, sendo preciso “perceber o que é que aconteceu para que não tivesse existido a devida preparação do ano letivo”.

“A fasquia está tão baixa e querem vender-nos a ideia de que isto é normal e aceitável ou que se deve a uma circunstância qualquer extraordinária que não está demonstrada, mas os responsáveis políticos têm mesmo que ser responsabilizados e não podem, permanentemente, procurar esconder-se atrás ou das escolas, ou dos diretores, ou de algum acontecimento extraordinário que não está demonstrado que tenha existido”, condenou.

Miguel Cabrita considerou que o ministro da Educação “tem sido pródigo em arranjar responsáveis e explicações que nunca o envolvem ele próprio nem as suas ações ou inações”.

“Mas os portugueses, as famílias, merecem mesmo uma explicação sobre o que é que aconteceu agora com o início do ano letivo e porquê mais de um milhar, pelo menos, de alunos começa o ano letivo sem ter uma escola onde estudar”, disse, justificando assim o pedido de audição parlamentar urgente.

A expectativa do PS, de acordo com o deputado, é que este requerimento seja aprovado e Fernando Alexandre seja ouvido na Assembleia da República porque “são necessárias explicações muito claras sobre o número de famílias e de jovens que são afetados” e também “sobre o que é que terá acontecido para explicar mais um problema desta dimensão do Ministério da Educação”, que compromete “também a própria credibilidade do sistema educativo e da escola pública”.

O ministro da Educação disse na sexta-feira que surgiram mais de uma centena de novos processos de alunos para colocar nas escolas públicas, garantindo que “estão todos a ser colocados”, e que a falta de professores está a ser revolvida.

Uma semana após o arranque do ano letivo, depois de vários pais denunciarem a inexistência de vagas nas escolas públicas para os seus filhos, Fernando Alexandre garantiu que “os alunos estão a ser todos colocados”, sublinhando que “todos os dias aparecem (novos casos) infelizmente”.

JF (SO) // JMR

Lusa/fim

 

Â