Moçambique/Ataques: Forças de Defesa rejeitam expansão do terrorismo para Niassa após ataque em acampamento

Maputo, 19 set 2026 (Lusa) – As Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique rejeitaram uma eventual expansão do terrorismo para a província do Niassa, norte do país, após um ataque que provocou pelo menos um morto e destruiu um acampamento turístico.

“Neste momento o mais importante é assegurar a proteção das populações, preservar a presença do Estado e continuar as operações destinadas a localizar e neutralizar os grupos responsáveis por este tipo de ações, sem naturalmente significar neste momento uma expansão do terrorismo para província de Niassa”, disse o porta-voz das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), Omar Saranga, em declarações aos jornalistas.

O responsável, citado hoje pela comunicação social, falava no âmbito das comemorações de 62.º aniversário da FADM, data que marca igualmente o início da luta armada no país contra o regime colonial, em 25 de setembro de 1964.

Em 09 de setembro as autoridades moçambicanas reforçaram a segurança na Coutada de Marangira, na Reserva Especial do Niassa, norte do país, após o ataque em 04 de setembro contra o acampamento turístico, associado ao treinador de futebol luso-moçambicano Carlos Queiroz, que provocou pelo menos um morto, a deslocação de 2.700 pessoas e o rapto de 11 pessoas, além da destruição de infraestruturas turísticas.

As autoridades moçambicanas apontaram antes que os atacantes terão partido da vizinha província de Cabo Delgado, rica em gás e epicentro da insurgência armada que afeta o norte do país desde 2017.

Ainda no lançamento das comemorações dos 62 anos das FADM, o ministro da Defesa elogiou os esforços das forças policiais no contínuo combate ao terrorismo, pedindo mais investimentos, sobretudo no uso da tecnologia.

“Vivemos tempos de desafios complexos, dentre os quais, o terrorismo, o crime organizado, ameaças híbridas, intempéries, pandemias e outras que exigem a prontidão e a modernização constante das nossas forças armadas. Reconhecemos que a modernização tecnológica, a formação contínua, a cooperação com parceiros são instrumentos que reforçam a capacidade de resposta”, disse Cristóvão Chume.

A província de Cabo Delgado enfrenta desde 2017 uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhões de deslocados, tendo sido registadas desde 2025 incursões esporádicas nas províncias vizinhas de Niassa e Nampula.

Dados divulgados recentemente pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indicam que a violência armada em Cabo Delgado provocou 1.401 deslocados em agosto e que os incidentes de conflito aumentaram 10% no primeiro semestre deste ano face ao período homólogo.

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