
Bruxelas, 19 set 2026 (Lusa) — A União Europeia (UE) exortou hoje os Estados Unidos a reconsiderarem a recusa de concessão de vistos aos membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e à Autoridade Palestiniana para participarem na Assembleia Geral da ONU.
“À luz dos seus acordos com a ONU e das suas obrigações enquanto Estado anfitrião, apelamos aos Estados Unidos para que reconsiderem a decisão”, declarou o porta-voz do Serviço Europeu de Ações Externas da UE, Anouar el-Anouni.
“Lamentamos a decisão de prorrogar, pelo segundo ano consecutivo, a recusa de concessão de vistos de entrada aos membros da delegação palestiniana”, acrescentou.
A posição da UE surge um dia depois de o secretário-geral da ONU, António Guterres, ter também lamentado a decisão de Washington e mostrado “preocupação” com o impacto da decisão norte-americana na capacidade da Palestina para participar plenamente nos trabalhos das Nações Unidas.
“A participação plena de todas as delegações nos trabalhos da Organização é essencial para o seu bom funcionamento”, frisou Guterres, citado pelo porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.
Pelo segundo ano consecutivo, os Estados Unidos recusaram conceder um visto ao Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, para que participe na próxima semana na Assembleia Geral da ONU, alegando ausência de reformas.
Tendo essa decisão em conta, a Assembleia Geral da ONU aprovou na quinta-feira uma resolução que permite à delegação palestiniana participar virtualmente no Debate Geral da próxima semana — tal como ocorreu no ano passado –, mesmo com o representante norte-americano a afirmar que a Autoridade Palestiniana está a subsidiar terroristas e a usar a diplomacia como teatro.
Por outro lado, está previsto que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, se desloque a Nova Iorque e discurse perante a Assembleia Geral a 24 deste mês, apesar do mandado de detenção que pesa sobre ele desde novembro de 2024 por alegados crimes de guerra e contra a humanidade contra o povo palestiniano.
Washington acusa Abbas de ter “falhado nos compromissos em favor da paz no Médio Oriente”, apontando “ações que minam” e que visam “internacionalizar o conflito israelo-palestiniano, nomeadamente através do Tribunal Penal Internacional (TPI) e do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ)”.
Os EUA criticam ainda a Autoridade Palestiniana por procurar contornar negociações através de “reconhecimento unilateral” e por continuar a pagar subsÃdios a “terroristas” e glorificar atos de terrorismo em declarações públicas e manuais escolares.
A posição norte-americana contrasta com a de vários paÃses, incluindo a França, que reconheceram no ano passado na ONU a existência de um Estado da Palestina.
No total, 142 Estados-membros apoiaram essa decisão, na sequência de uma conferência sobre a solução de dois Estados copresidida por França e Arábia Saudita.
A decisão surge num contexto de agravamento da violência na Cisjordânia, onde ataques de colonos israelitas contra palestinianos se multiplicaram nos últimos meses.
Israel ocupa o território desde 1967 e os confrontos intensificaram-se após o ataque do Hamas de 07 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.
A Autoridade Palestiniana condenou hoje a decisão de Washington, que considerou injustificada.
Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Autoridade Palestiniana afirmou “rejeitar” a decisão norte-americana, afirmando que vai contra os esforços para reconstruir a confiança e desenvolver as relações bilaterais.
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JSD (MYMM/PSP/NCM) // JMR
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