Bruxelas saúda convocação de eleições na Palestina e pede um processo “justo”

Bruxelas, 18 set 2026 (Lusa) — A comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, saudou hoje a decisão adotada em julho pelo Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, de realizar eleições legislativas na Palestina em novembro.

Suica, numa mensagem nas redes sociais após manter uma conversa telefónica com o vice-presidente palestiniano, Hussein al-Sheikh, exigiu, contudo, que seja garantido um processo eleitoral “justo, credível e inclusivo” que contribua para reforçar as instituições palestinianas.

“As eleições serão um importante momento democrático. Garantir um processo eleitoral justo, credível e inclusivo é essencial para fortalecer as instituições palestinianas”, assinalou.

Durante a conversa, a comissária reiterou o “apoio contínuo” da União Europeia ao povo palestiniano e incentivou a Autoridade Palestiniana a alcançar “maiores progressos” na sua agenda de reformas.

Suica abordou também a necessidade de avançar na recuperação de Gaza, bem como o trabalho que o Grupo de Doadores para a Palestina da União Europeia apresentará na Assembleia Geral da ONU na próxima semana.

As eleições legislativas estão convocadas para 28 de novembro na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e na Faixa de Gaza, segundo o decreto aprovado em julho pelo Presidente palestiniano, Mahmud Abbas.

A Comissão Eleitoral Central palestiniana mantém em curso os preparativos para as eleições, após inúmeros adiamentos e que visam eleger os representantes que irão constituir o próximo Conselho Legislativo Palestiniano.

A 12 de agosto, o Hamas anunciou a intenção de participar nas legislativas palestinianas, que, caso se concretizem, serão as primeiras deste tipo em duas décadas.

“O Hamas participará nas eleições dentro da mais ampla coligação nacional possível”, frisou Husam Badran, chefe do gabinete de Relações Nacionais do movimento islamita palestiniano, em entrevista à estação Al Aqsa, citada pela agência Europa Press.

Badran indicou que o movimento está a “colaborar com várias fações palestinianas para formar um bloco eleitoral que abranja um amplo espetro do povo palestiniano”.

“Há um mês, começámos a realizar reuniões e a manter uma comunicação constante com várias fações de todo o espetro palestiniano, com o objetivo de formar o maior bloco eleitoral nacional possível, unido por uma plataforma política mutuamente acordada”, detalhou.

O responsável do movimento que lidera a Faixa de Gaza recusou-se a mencionar quaisquer ‘linhas vermelhas’ para a implementação destes acordos, argumentando que o Hamas rejeita “o princípio de impor condições”.

Apesar disso, Badran enfatizou que o objetivo desta ampla coligação é formar um Conselho Legislativo (o Parlamento palestiniano estabelecido após os Acordos de Oslo de 1993) que “represente uma base nacional, acredite na participação e considere as necessidades do povo palestiniano”.

A Palestina realizou eleições a 25 de abril para cargos nos conselhos locais. Em Gaza, a votação decorreu em Deir al-Bala (região central), marcando a primeira eleição em mais de duas décadas no enclave, onde está em vigor um frágil cessar-fogo desde outubro de 2025, após mais de dois anos de ofensiva israelita.

As últimas eleições legislativas no enclave tiveram lugar em 2006 e resultaram na vitória da lista Mudança e Reforma, composta por candidatos do Hamas, tanto em Gaza como na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental.

A situação levou Israel e os Estados Unidos a rejeitar os resultados, uma posição apoiada pela Autoridade Palestiniana, o que resultou, posteriormente, numa divisão administrativa e territorial após um conflito interno.

Desde então, não se realizaram eleições em Gaza, enquanto as eleições locais decorreram na Cisjordânia em 2012, 2017 e 2022.

 

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