
Kiev, 17 set 2026 (Lusa) – O Governo ucraniano aprovou o orçamento para o ano de 2027 com uma necessidade de financiamento estrangeiro de cerca de 45,8 mil milhões de euros e de gastos militares a um nÃvel recorde, divulgou hoje a imprensa internacional.
De acordo com o documento, disponÃvel para consulta hoje no portal do Ministério das Finanças, “as necessidades de apoio internacional em 2027 totalizarão 52,6 mil milhões de dólares (cerca de 45,8 mil milhões de euros)”, segundo a agência de notÃcias AFP.
“Prevê-se a mobilização de recursos provenientes da União Europeia (UE), dos paÃses do G7 (…), do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial (BM), do Reino Unido e de outros parceiros internacionais”, indicou o texto.
O principal setor de despesa é o da defesa e segurança, com 95,9 mil milhões de euros previstos, um aumento de 11,9% face a 2026. Este montante representa 43,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da Ucrânia, uma fatia recorde desde o inÃcio da guerra e a mais elevada do mundo.
Em comparação, os gastos militares da Rússia representam oficialmente 5,5% do PIB no orçamento de 2026 e têm uma previsão de queda no de 2027, embora alguns gastos possam ser opacos, segundo uma análise do jornal da oposição Novaya Gazeta.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tinha anunciado na terça-feira que planeava adotar medidas “difÃceis e impopulares” para “cobrir” o défice orçamental.
A Ucrânia, que depende em grande parte da ajuda financeira dos seus aliados ocidentais para fazer face à invasão russa, enfrenta uma situação económica em deterioração. Há vários meses que o paÃs está envolvido numa escalada de ataques de longo alcance com Moscovo, o que levou à utilização antecipada dos recursos previstos para o resto de 2026.
Os ataques russos atingiram duramente os setores da metalurgia e das exportações agrÃcolas, que são fundamentais para a economia ucraniana.
Segundo Roksolana Pidlassa, presidente da Comissão de Orçamento do Parlamento ucraniano, cada dia de guerra custa 190 milhões de dólares (cerca de 165 milhões de euros) à Ucrânia, e o paÃs não tem condições para suportar sozinho estes custos.
A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.
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