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Praia, 17 set 2026 (Lusa) — O presidente eleito do Movimento para a Democracia (MpD, oposição), Paulo Veiga, disse hoje à Lusa estar aberto a entendimentos com o Governo cabo-verdiano.
“O senhor primeiro-ministro, presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), chamou-me a dar os parabéns e tivemos uma boa conversa durante dez minutos”, referiu, em entrevista à Lusa.
Uma conversa com Francisco Carvalho a que se seguirão outras. “Vamos, na diferença, encontrar os melhores caminhos para Cabo Verde”, assegurou.
Paulo Veiga apontou o exemplo da eleição de órgãos externos ao parlamento, que exige entendimento entre os partidos.
“É um problema que afeta o país e nós, desde já, mostrámos total abertura para se chegar a acordos e avançar com a aprovação desses órgãos externos o mais rapidamente possível. O país não pode ter um Tribunal Constitucional ou uma Comissão Nacional de Eleições (CNE) com dois mandatos de atraso”, disse.
Noutro âmbito, revelou que o MpD tem “uma equipa montada para analisar ao detalhe o Orçamento do Estado” para 2027.
“Desde já, preocupa-nos bastante a ideia de dar tudo de graça, porque tem de haver contrapartida. O dinheiro não cai do céu”, referiu, mostrando-se, ao mesmo tempo, desfavorável ao aumento de impostos ou de taxas alfandegárias.
“Há linhas em que iremos trabalhar. Fala-se muito em redução de custos e queremos ver essas reduções. O que sentimos nestes primeiros 70 dias de Governo é que andam a dizer que vão eliminar institutos e órgãos e estão ao mesmo tempo a criar”, acrescentou.
Paulo Veiga assinalou também fatores externos: “O preço do combustível disparou, mas ao que parece vai disparar ainda mais. E como é que nós vamos lutar contra isto? Como é que o Governo deixou de aplicar as medidas que o anterior tinha para minimizar o aumento de custo de vida dos cabo-verdianos?”, questionou.
O acompanhamento da ação governativa será feito pelo MpD “através de gabinetes de estudos, por setor e por área”, permitindo suportar também a argumentação do grupo parlamentar.
Sem assento na Assembleia Nacional, Paulo Veiga rejeitou a ideia de que isso o prejudique ao liderar a oposição.
“Acho que até é uma oportunidade para organizar o partido. Porque há dois desafios, a oposição e o país”, de um lado, e, por outro, “preparar o partido para os desafios vindouros”.
Num mundo em mutação, o líder eleito do MpD pensa que Cabo Verde precisa aproximar-se de África – “Acho que ambos os partidos têm falado muito disso, mas prestado muito pouca atenção ao continente” -, sem contudo deixar de estar atento ao resto do mundo.
“Cabo Verde tem sido capaz de manter este equilíbrio, eu acho que o MpD deve fazer o mesmo e reforçar as relações com os parceiros”, disse.
E acrescentou: “O mundo está numa mudança tão rápida que vamos ter de [nos] ajustar a toda a hora, mas, definitivamente, sem violar o básico e o essencial do MpD, que é um partido democrático, republicano e que defende os direitos humanos”.
O presidente eleito do MpD venceu em 22 dos 32 círculos internos e obteve mais votos que os outros dois adversários juntos: Paulo Veiga recebeu 4.545 votos, Herménio Fernandes recolheu 3.754 e Luís Filipe Tavares 716.
Da mesma forma, Veiga conquistou a maioria dos votos (4.563) para escolha de delegados à XIV Convenção Nacional, a realizar nas próximas semanas e cujas datas serão divulgadas em breve.
Paulo Veiga sucederá a Ulisses Correia e Silva, que se demitiu depois da derrota eleitoral de maio, que levou o PAICV de Francisco Carvalho ao Governo com maioria absoluta no parlamento, após dois mandatos (10 anos) do MpD.
O PAICV tem 37 dos 72 lugares da Assembleia Nacional, o MpD reúne 33 deputados e a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) elegeu dois parlamentares.
Para assegurar a transição interna que agora terminará, o MpD escolheu Eurico Monteiro, antigo ministro da Modernização do Estado e da Administração Pública, como presidente interino do partido.
Na Assembleia Nacional, a bancada parlamentar do MpD é liderada por Luís Carlos Silva e tem como vice-presidentes Damião Medina, Sandra Galina, Lídia Lima e Edson Líver Gomes.
*** Luís Miguel Fonseca (texto), Ernesto Júnior (vídeo), da agência Lusa ***
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