Curso de Medicina na UTAD aposta na proximidade entre alunos, médicos e região

Vila Real, 15 set 2026 (Lusa) – O curso de Medicina da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) arrancou com 40 alunos e uma forte aposta na proximidade, com um tutor para cada estudante, e contacto com doentes logo no primeiro ano.

Durante esta manhã, os primeiros alunos do curso foram conhecer as instalações na academia, em Vila Real, onde vão ter aulas.

“Foi uma surpresa chegar cá e aparecer um projeto novo, com um método de ensino também novo. Com um contacto com os doentes logo no primeiro ano, com um acompanhamento muito mais perto dos alunos, o que, claro, acaba por ser benéfico no nosso percurso, na nossa jornada académica”, afirmou à agência Lusa Afonso Sousa, de 19 anos.

O estudante natural de Famalicão contou que a UTAD não foi a sua primeira escolha, mais por causa da necessidade de deslocação do que pelo método de ensino, mas disse que carrega consigo muita expectativa em relação ao novo curso.

A academia transmontana foi, no entanto, a primeira escolha para Bruna Oliveira, 18 anos, residente em Borbela, Vila Real.

“Na UTAD, porque não? Acho que o curso tem muita potencialidade e foi a minha primeira escolha”, afirmou, destacando o “contacto com a prática” como algo que a cativou para esta escolha.

Bruna Oliveira quer ficar por Vila Real, no interior do país onde tanto se fala de falta de médicos.

“Se fosse para sair tinha que ter sido agora, não era fazer o curso cá e ir para fora”, salientou.

As primeiras 40 vagas do Mestrado Integrado em Medicina foram preenchidas na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso (CNA), com o último estudante a ser colocado com uma classificação de 18,18 valores.

São 40 alunos e 40 tutores, um por aluno, e 113 professores, 95 dos quais médicos na Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), parceira no projeto.

Numa das salas de aula, no edifício da biblioteca, foi instalada uma mesa anatómica virtual, que será um dos pontos de partida para o curso.

“Permite que os alunos aprendam anatomia de uma forma muito mais interativa, porque o sistema permite que façamos uma visão em multicamadas das estruturas anatómicas”, explicou Pinto de Sousa, diretor do curso de Medicina, referindo que este equipamento permite “uma abordagem completamente diferente” e uma “maior rentabilização do tempo” dos alunos.

Em preparação está uma sala realidade imersiva (com recursos de realidade virtual e aumentada) na UTAD, bem como uma sala de simulação no hospital de Vila Real.

Pinto de Sousa referiu que o curso assenta num reduzido número de alunos, o que vai permitir um acompanhamento individualizado. O tutor fará o acompanhamento do estudante ao logo dos seis anos.

“O outro pilar é o contacto muito precoce com a realidade local”, frisou, acrescentando que se quer dar aos alunos “uma visão dos problemas da população local”, bem como proporcionar um “contacto precoce com a clínica”.

O diretor referiu que, enquanto as estruturas mais conservadoras, convencionais, só permitem a entrada dos alunos na parte clínica, enfermaria e contacto com os doentes na segunda metade do curso, o Mestrado Integrado da UTAD proporciona esse contacto desde o início.

O responsável concretizou que, durante nove semanas por ano letivo, o aluno vai acompanhar o tutor médico, o que se traduzirá em cerca de três a quatro horas de contacto diário com a realidade clínica.

“Interação com a clínica e integração muito precoce. E no futuro, quando estivemos na parte das rotações clínicas da segunda metade do curso, eles vão fazer parte integrante da equipa clínica”, apontou.

O projeto conta com a colaboração de 21 municípios dos distritos de Vila Real e Viseu, que irão ajudar os estudantes com alojamento e/ou mobilidade durante rotações ou colocações em unidades de saúde da ULS.

Questionado sobre se este curso, no interior do país, pode ajudar a fixar médicos, Pinto de Sousa respondeu: -“Ninguém pode garantir 100% isso, mas pode”.

Conhecer a realidade local, os problemas locais, trabalhar desde o início com a região pode servir, frisou, como um incentivo à sua fixação.

“Se a universidade conseguisse fazer isso, transformar este curso numa grande oportunidade de fixar profissionais aqui, era uma coisa absolutamente extraordinária”, afirmou Levi Leonido, vice-reitor para a Cooperação, Cultura e Comunicação.

O responsável realçou que a proximidade entre alunos e realidade local é “uma marca distintiva” para a UTAD e considerou que o curso tem uma “matriz até territorial”, de estar presente no território.

O Mestrado Integrado em Medicina da UTAD foi acreditado pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), por um período condicional de dois anos. Estes vão ser, por isso, anos de muito trabalho na academia e ULS.

Levi Leonido disse que as salas onde os estudantes estão agora são transitórias, que está prevista a construção de um edifício dedicado à área da saúde e apontou ainda para um investimento de cerca de um milhão de euros para requalificar o edifício da biblioteca.

“Acho que isso tudo vai ajudar imenso a que a universidade também possa ser melhor e mais exigente até noutras áreas. Acho que isto puxa por nós, por todos. Acho que é um momento feliz para a universidade”, frisou.

A UTAD preencheu a totalidade das vagas em 24 dos 38 cursos colocados a concurso na primeira fase do CNA 2026/2027, colocando um total de 1.535 estudantes.

Após a primeira fase, ficaram disponíveis 256 vagas para a 2.ª fase do CNA.

*** Paula Lima (texto) e Pedro Sarmento Costa (fotos), da agência Lusa ***

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