IL critica Governo no “país das maravilhas” e pede política que pense “além do próximo mandato”

Porto, 15 set 2026 (Lusa) – A presidente da IL criticou hoje o Governo por falar num “país das maravilhas”, afirmando que essa leitura “não paga a renda nem mete comida na mesa”, e pediu uma política capaz “de pensar além do próximo mandato”.

Mariana Leitão, no discurso de encerramento dos trabalhos das jornadas parlamentares da IL, no Porto, afirmou que o Governo “há mais de um ano” diz que o país vive “numa espécie de país das maravilhas”, mas que essa leitura, embora “fique muito bem numa conferência de imprensa”, “não paga a renda nem mete comida na mesa”.

“Ouve-se falar de crescimento, de contas certas, de descidas de impostos, de um Estado que finalmente se vai modernizar. Depois olhamos para os números e para a vida das pessoas e a história não bate certo”, considerou.

Leitão exemplificou com a posição de Portugal no ranking mundial de competitividade, com a subida do preço do cabaz essencial e da habitação, os problemas nas urgências hospitalares, a descida na captação de investimento estrangeiro e o fim dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

A presidente liberal constatou ainda que há outro problema “maior do que qualquer governo”: “Vivemos agarrados ao problema que está mesmo à nossa frente e mal preparados para o que vem a seguir. Corremos sistematicamente atrás do prejuízo. Reagimos e nunca estamos preparados. Onde é que está a estratégia para os próximos 20 anos? Onde é que está a preparação para os desafios futuros?”, questionou.

Mariana Leitão defendeu que o país “precisa de ter capacidade para não ser inteiramente controlado pelas decisões dos outros” e que, se a política continuar a “pensar só no próximo mandato”, as próximas gerações herdarão as decisões que não se tomaram hoje por medo.

“Portugal precisa de políticos capazes de pensar para além do próximo mandato. Porque o mundo não vai esperar que Portugal esteja pronto e já começou a mudar”, sublinhou, acrescentando que é por isso que a IL “nunca se vai cansar de dizer que é preciso fazer reformas no país” para “resolver problemas estruturais, para permitir que o país se desenvolva, cresça, produza e inove”.

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