Moçambique prioriza acesso à água na região norte com novos sistemas e furos

Maputo, 15 set 2026 (Lusa) — Moçambique vai priorizar o reforço do acesso à água no norte, através da instalação de novos sistemas de abastecimento e furos, para aumentar a disponibilidade de água potável nas zonas rurais, anunciou hoje o ministro das Obras Públicas.

“A preocupação com a cobertura de água é a nível nacional, mas temos verificado que a região norte tem apresentado os maiores desafios de abastecimento, principalmente entre setembro e dezembro”, disse hoje o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, à margem da abertura da Reunião Nacional de Alinhamento Institucional sobre o Novo Quadro do Setor de Abastecimento de Água e Saneamento, em Maputo.

No encontro, promovido pela Autoridade Reguladora de Águas e Saneamento (AURA) para discutir as reformas em curso no setor, o governante reiterou a necessidade de concentrar esforços naquela região, uma prioridade igualmente prevista no ProÁguas, o Compacto Nacional de Segurança Hídrica 2026-2036.

“Esta estratégia do ProÁguas pretende também priorizar estas regiões, onde vamos criar condições para termos mais sistemas de abastecimento, mais furos e mais meios, como bombas manuais, para que a população rural possa beneficiar de mais água potável para consumo”, acrescentou.

A reunião permitiu enquadrar as reformas em curso e harmonizar posições sobre o exercício dos mandatos institucionais, do nível central aos níveis descentralizados, com vista à definição de ações práticas para reforçar a capacidade dos governos provinciais de coordenar e acompanhar a prestação dos serviços.

Fernando Rafael desafiou ainda as instituições do setor a reforçarem a coordenação na gestão dos recursos hídricos e na partilha de informação.

“No domínio do património, devemos assegurar clareza para todos na transferência de sistemas, dando informação sobre os ativos, os contratos existentes, os passivos, as necessidades de reabilitação e as responsabilidades transitórias”, afirmou.

Segundo o ministro, a circulação de informação entre instituições deve obedecer a regras claras de responsabilidade, periodicidade e identificação dos destinatários.

O governante apelou igualmente à Autoridade Reguladora de Águas e Saneamento para exercer as suas funções com “independência e rigor”, sublinhando que uma regulação forte é essencial para garantir padrões de qualidade dos serviços, transparência e proteção dos consumidores.

Ao Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG) compete assegurar a sustentabilidade dos investimentos, enquanto a Águas de Moçambique (AdeM) deve garantir uma gestão patrimonial clara e responsável, acrescentou.

Fernando Rafael defendeu ainda que governos, direções e sociedades provinciais devem atuar de forma articulada, apesar das competências distintas, para assegurar o funcionamento eficiente do sistema.

Em julho, o ministro anunciou que Moçambique prevê estabelecer 876.335 novas ligações domiciliárias de água potável até 2036 e construir mais de 25 mil pontos públicos de abastecimento, no âmbito da expansão da cobertura nacional de acesso à água.

O Governo tem igualmente em curso uma estratégia para reforçar o abastecimento e melhorar a qualidade dos serviços prestados pela Águas de Moçambique.

Em maio, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, anunciou a mobilização de quase 3.950 milhões de euros até 2036 para investimentos em água e saneamento no âmbito do ProÁguas.

O programa prevê elevar a cobertura nacional de abastecimento de água para 75% da população até 2036, incluindo 65% nas zonas rurais e 92% nas zonas urbanas, além da construção de barragens, infraestruturas de saneamento e milhares de novas ligações domiciliárias em todo o país.

 

VIYS (EMYZ) // JMC

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