
Lisboa, 14 set 2026 (Lusa) — Os órgãos representativos dos trabalhadores da Lusa disseram hoje que o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, demonstra “total alheamento” das preocupações em torno da independência da agência, após declarações hoje proferidas pelo governante.
Num comunicado, assinado pelos sindicatos dos Jornalistas, dos Trabalhadores do Setor de Serviços, dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro, Sul e Regiões Autónomas, pela Comissão de Trabalhadores e pelos membros eleitos do Conselho de Redação, as entidades disseram que Leitão Amaro “pronunciou-se hoje de forma equÃvoca sobre o novo modelo de governação da Lusa, depois de a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) dar razão aos alertas que os trabalhadores têm vindo a fazer nos últimos meses sobre os riscos de ingerência externa colocados pelos novos estatutos da agência”.
Para estes órgãos, o ministro “demonstra total alheamento das preocupações sobre independência da Lusa”, apontando que “falou abusivamente em nome dos trabalhadores”, ao dizer que “os profissionais da agência ‘não querem’ voltar atrás nas regras de governação, assumindo pressupostos errados sobre o que os trabalhadores pensam e têm vindo a avisar”.
Segundo os representantes dos trabalhadores, “as declarações revelam um total alheamento dos problemas de incumprimento do direito europeu e nacional em matéria de liberdade de imprensa que os novos estatutos colocam”, apontando ainda uma “clara falta de vontade em saná-los, numa inexplicável incapacidade de encarar de forma séria o que resulta da deliberação da ERC de 09 de setembro de 2026”.
As entidades lembraram que na sequência da queixa apresentada pelo Sindicato dos Jornalistas, a ERC afirmou que o novo modelo de governação da agência não cumpre “o quadro normativo aplicável e as recomendações e boas práticas em matéria da organização e funcionamento independente de um meio de comunicação social público, com efeitos que se antecipam de relevo, desde logo em sede de perceção pública nacional, europeia e internacional, dos nÃveis de independência da Lusa face ao poder polÃtico”.
Os órgãos representativos dos trabalhadores da Lusa apelam, assim, para a “seriedade do Governo em nome da preservação do Estado de Direito em Portugal em matéria de liberdade de imprensa e de autonomia dos jornalistas”, pedindo para que ministro da Presidência “se concentre no futuro da Lusa e em resolver os problemas identificados pela ERC, despindo-se de querelas e promovendo uma alteração de estatutos que preserve a independência da agência”.
António Leitão Amaro afirmou hoje que os trabalhadores da Lusa não querem voltar atrás relativamente às regras de governação, apesar das várias manifestações que realizaram em contrário.
“Tenho ouvido alguns a protestarem muito com as regras de governação novas, e eu pergunto, querem voltar atrás?”, questionou, retoricamente, o governante na Conferência da UGT “Work Voice Summit” sob o mote “O serviço público de media no centro da democracia”.
O ministro voltou a colocar a questão se os trabalhadores querem voltar “à altura em que a empresa era pequenina e só tinha um administrador e não três” e “em que os trabalhadores não tinham assento num conselho consultivo para se pronunciarem sobre a governação”.
Em resposta à quelas questões, Leitão Amaro afirmou “claro que não querem”.
O ministro disse conhecer muitos trabalhadores da Lusa, afirmando que “muitos deles”, através de mensagens transmitidas ao governante “estão disponÃveis para participar” no “esforço de transformação”.
“Eu conheço muitos trabalhadores da RTP, como conheço muitos trabalhadores da Lusa, e sei que muitos mais deles, sim, pelas mensagens que me transmitem, estão disponÃveis para participar neste esforço de transformação”, afirmou António Leitão Amaro.
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ALN (AJR) // MSF
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