Sociais-Democratas suecos disponíveis para coligações à esquerda ou centro após vitória

*** Rita Cruz, da agência Lusa ***

Estocolmo, 13 set 2026 (Lusa) — Os Sociais-Democratas venceram hoje as eleições legislativas na Suécia, mas com votação muito fragmentada que torna incerto o cenário de governação, tendo a sua líder declarado já disponibilidade para coligações à esquerda ou ao centro.

“Nós Sociais-Democratas estaremos sempre prontos a assumir a nossa responsabilidade pelos resultados”, disse a líder social-democrata, Magdalena Andersson, reafirmando a disponibilidade para diferentes coligações que garantam a não recondução da coligação de direita atualmente no Governo.

Com cerca de 85% dos votos apurados, os Sociais-Democratas, de centro-esquerda, estão à frente com 28% dos votos. Apesar da queda de cerca de 2,4% (resultados preliminares), o partido de centro-esquerda vence em termos individuais.

No global, o conjunto da oposição (Sociais-democratas, Partido da Esquerda, Verdes e Partido do Centro) tem, no momento, 175 mandatos, contra 174 dos partidos de Governo (Moderados, Liberais e Democratas-Cristãos, que têm apoio dos Democratas Suecos).

A incerteza proporcionou uma longa noite eleitoral no Hotel Radison, no centro de Estocolmo, onde se reuniram os Sociais-Democratas.

Os resultados preliminares foram oscilando ao longo da noite, com 175 e 174 mandatos distribuídos para cada lado alternadamente: ora o conjunto do Governo tinha mais um mandato, ora tinha a oposição. Na casa dos Sociais-Democratas foi-se festejando consoante o resultado do momento, numa noite de grande incerteza.

Magdalena Andersson, recebida em grande festa pelos militantes, reafirmou o programa trabalhista do partido: “Aqui deveremos ter boas condições, bons salários (…). O movimento trabalhista sueco vai de encontro ao futuro, juntos”.

Há várias combinações possíveis para levar Magdalena Andersson à liderança do Governo. Os sociais-democratas têm-se mostrado disponíveis para se juntarem a partidos à sua esquerda, mas também ao centro. 

A antiga primeira-ministra aconselhou, contudo, cautela: “Agora devemos esperar pelos resultados finais”.

Na casa dos Moderados, do primeiro-ministro Ulf Kristersson, o líder deixou uma mensagem à oposição: “Os três partidos à esquerda falharam, mais uma vez, em reunir uma maioria no parlamento sueco”.

O partido de Kristersson atingiu os 19,9%, em resultados preliminares ao final da noite de domingo. O actual chefe de Governo disse que respeitará os resultados e a vontade de Magdalena Andersson se a antiga primeira-ministra “quiser tentar juntar os Verdes, o Partido da Esquerda e o Partido do Centro numa mesma solução de Governo”, mas lembrou as dificuldades destas constelações governativas, pelas linhas vermelhas que cada partido tem em relação a outros.

“Não tenho pressa. É mais importante fazer bem, do que fazer rápido”, disse sobre as negociações que se aproximam.

Entre os Democratas Suecos, da direita radical nacionalista, o ambiente esteve em baixo toda a noite após a saída das primeiras projecções, de acordo com a cobertura da televisão pública sueca. No entanto, o líder Jimmie Åkesson mostrou-se optimista.

“Nesta eleição fomos vencedores, porque há muito mais pessoas neste país que já não têm vergonha de dizer que são Democratas Suecos, que têm orgulho de o dizer”, disse Ã…kesson em reacção aos resultados preliminares que colocam o seu partido em terceiro lugar com 17,7%.

“Nós ainda temos possibilidade de ganhar”, disse Ã…kesson, que tem um acordo com o actual primeiro-ministro em que, caso os partidos hoje no Governo ganhem, os Democratas Suecos deverão fazer parte do executivo. 

À esquerda houve também motivos de celebração. “Amigos, conseguimos!”, disse a líder do Partido da Esquerda, Nooshi Dadgostar. “Nós fomos o partido que mais cresceu”, comentou sobre os 8,1% que obteve, no momento em que cerca de 85% dos votos estavam apurados. “Faremos todos os possíveis para dizer adeus a Tidö”, prometeu.

O Partido do Centro obteve também um melhor resultado do que em 2022: 7,1%. A líder dos centristas, Elisabeth Thand Ringqvist, mostrou-se feliz e satisfeita com o resultado, mas sublinhou que o cenário final é “muito incerto”. 

“Os extremos não devem dominar o Governo”, disse ainda. “os que votaram em nós, votaram numa política de centro”, acrescentou, prometendo que os centristas terão uma atitude “construtiva” nas negociações que agora se seguem.

Entre os Democratas-Cristãos, um dos partidos no Governo, Ebba Busch agradeceu ao actual primeiro-ministro e traçou as prioridades para uma eventual reeleição: “Energia nuclear, imigração, luta contra a criminalidade, economia […] Este é mandato que o povo sueco nos deu”.

A líder dos Democratas-Cristãos tinha dito, poucos dias antes do dia das eleições, que caso o Governo Tidö caísse, os Democratas-Cristãos seriam oposição, o que quer dizer que não farão parte de uma outra solução de Governo que não a actual.

Também os Verdes tiveram uma noite feliz: “Estas foram umas boas eleições para nós”, disse Daniel Helldén, um dos dois porta-vozes do partido, reagindo aos 6,1% preliminares, um aumento de 1% face às últimas eleições e um resultado histórico para o partido. Helldén e a co-porta-voz Amanda Lind falaram aos militantes em ambiente de festa e deram a entender querer ser parte de uma solução de governo.

No fundo da lista, com 5,4% ao final da noite, os Liberais seguram a representação parlamentar, que necessita de um mínimo de 4%. “Isto é histórico”, disse Simona Mohamsson em reacção aos resultados. “Votaremos não a Magdalena Andersson como primeira-ministra”, disse, acresentando: “Mais quatro anos”, aludindo à manutenção do actual Governo de coligação de que os Liberais fazem parte, juntamente com os Moderados e os Democratas-cristãos.

Os resultados finais poderão ainda levar alguns dias a ser anunciados. Com base nesses números, os partidos irão para negociações para formar Governo.

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