Jorge Pinto avisa que Livre não alinhará no “jogo viciado da extrema-direita”

Porto, 12 set 2026 (Lusa) — O porta-voz do Livre avisou hoje que o partido não alinhará no “jogo viciado” da extrema-direita, mesmo que PSD ou Governo o façam, e lembrou que ficou isolado à esquerda no voto contra a moção de censura.

“Não alinhamos num jogo que está viciado à partida, connosco não contam para jogar no tabuleiro que a extrema-direita nos estende. Que o Governo faça isso, que o PSD faça isso, que a comunicação [social] faça isso, em particular os diretores de informação das televisões, é um problema deles. Nós vamos jogar o nosso jogo com as nossas regras e com as nossas condições”, avisou o porta-voz do partido.

Jorge Pinto discursava na rentrée política do Livre, intitulada “Os Setembristas”, que decorre até domingo na Alfândega do Porto.

O porta-voz do Livre — que partilha o cargo com Isabel Mendes Lopes — lembrou que o seu partido foi o único da esquerda parlamentar que votou contra a moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega esta semana (PS, PCP e BE abstiveram-se), utilizando este momento para distinguir o seu partido dos restantes do mesmo quadrante político.

“O Livre, não é surpresa, foi o único partido de esquerda que votou contra esta moção. Isto deve-se a várias razões. A primeira é porque nós não aceitamos aqueles que querem enfraquecer o nosso Estado de Direito. (…) Nós não alinhamos com aqueles que usando a democracia a querem destruir”, sustentou.

Numa intervenção de cerca de vinte minutos, que encerrou os trabalhos do dia na Alfândega do Porto, Jorge Pinto insistiu numa ideia que defendeu quando tomou posse como porta-voz, em julho: o partido “vai governar”.

“Convençam-se de que as coisas vão mudar e vão mudar graças a nós. Convençam-se que o Livre está aqui para governar. Nós vamos governar: à escala local, à escala nacional. Não porque queremos, não porque temos sede de poder. Mas porque sabemos que esta é a melhor maneira de concretizarmos as propostas que nós temos. Propostas essas que nós sabemos que são as melhores para o país”, argumentou.

Entre as propostas que o partido quer apresentar ao país, Jorge Pinto abordou a crise com o aumento dos combustíveis e do cabaz alimentar, acusando PS e PSD de se “entreterem a falar do IVA”.

“É preciso que o Estado seja firme a assegurar a efetiva concorrência das petrolíferas que estão a lucrar milhões enquanto todos nós sofremos ao final da semana para encher o depósito do carro”, defendeu, insistindo em propostas como a fixação de uma margem de lucro excecional para petrolíferas ou a devolução a 100% do IVA em bens essenciais para famílias de baixos rendimentos.

Jorge Pinto também fez referência ao crescimento eleitoral do partido, realçando que o Livre “duplicou de militância no espaço de um ano”.

Contudo, o porta-voz avisou: “O Livre foi, é e terá que continuar a ser um partido muito coeso ideologicamente”, defendendo os ideais europeístas, ecologistas, e da “esquerda libertária” que “não é a da motosserra ou a do egoísmo”, afastando-se de projetos como o da Iniciativa Liberal.

Momentos antes, numa conversa sobre o papel das cooperativas na qual participou o ex-líder e fundador Rui Tavares, Jorge Pinto defendeu a ideia de que o Livre deve “trazer o cooperativismo para o século XXI”.

O deputado defendeu que o trabalho do Livre deve passar por “olhar para o que foi o cooperativismo em Portugal nos anos 70 e 80, perceber o que correu mal, perceber porque é que muitas vezes se diz que correu pior do que correu, e o que pode ser feito para corrigir”.

ARL // MDR

Lusa/Fim