Líder do Livre acusa Governo de arrogância e não desiste de fazer “oposição construtiva”

Porto, 12 set 2026 (Lusa) — A porta-voz do Livre Isabel Mendes Lopes acusou hoje o Governo de arrogância ao recusar negociar em vários domínios, nomeadamente no Orçamento do Estado, mas afirmou que o seu partido não desistirá de fazer uma “oposição construtiva”.

Isabel Mendes Lopes falava aos jornalistas à margem da rentrée política do Livre, intitulada “Os Setembristas”, que decorre até domingo, na Alfândega do Porto, numa edição focada na formação e preparação de quadros.

Durante a manhã, o partido organizou mesas redondas de debate sobre vários temas, incluindo “como fazer oposição construtiva e ganhar influência política sem estar no executivo”.

Interrogada sobre como atingir este objetivo com o atual Governo PSD/CDS-PP, Isabel Mendes Lopes acusou o executivo de escolher “cirurgicamente com quem quer conversar, muitas vezes com quem depois diz que não tem confiança”, numa referência ao Chega.

“O Governo continua sem perceber que está em minoria e que tem que dialogar com todos os partidos da Assembleia da República”, advogou.

A também líder parlamentar referiu que, no próximo mês, o parlamento dará início ao processo de discussão da proposta de Orçamento do Estado para 2027, “com um Governo que disse ainda há umas semanas que não havia margem orçamental e que os partidos não podiam apresentar propostas alternativas”.

“De repente põe em cima da mesa um bónus para os pensionistas, quando deveria trabalhar em medidas estruturais de aumento das reformas, e uma baixa do IRS e ainda nos vem dizer que ainda há menos margem orçamental”, criticou, acusando o executivo de estar a limitar e “esvaziar” o trabalho da Assembleia da República nesta matéria — crítica que o Livre também fez no ano passado.

Na ótica de Isabel Mendes Lopes, “isto mostra a arrogância com que o Governo governa”.

“Da parte do Livre, nós nunca desistiremos de fazer uma oposição construtiva porque acreditamos que a política deve ser feita dessa forma. Mesmo que discordemos profundamente, temos de nos saber sentar à mesa e discutir as ideias”, realçou.

A porta-voz do Livre insistiu ainda no objetivo do partido de se assumir como uma força política “pronta para governar”, seja à escala nacional ou local.

“O Livre sempre foi muito claro desde o aparecimento do partido, nós queremos ser solução também em cargos executivos, queremos ter o poder de efetivamente mudar a vida das pessoas”, realçou.

O Livre reúne-se no Porto após um congresso que elegeu como porta-vozes Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto e num momento em que o partido tenta cimentar o crescimento dos últimos atos eleitorais, nomeadamente a nível autárquico.

Durante a manhã, num painel dedicado a “estratégias de comunicação”, Isabel Mendes Lopes realçou que o grande desafio atual do partido é “fazer o Livre crescer para se afirmar como alternativa governativa”, o que passa pela comunicação das suas propostas, quer a nível nacional mas também à escala local.

Bernardo Vidal, membro do executivo da junta de freguesia de Arroios, em Lisboa, realçou que é importante o Livre ter uma imagem própria e reconhecível: “Ainda não há um «vê-se mesmo que é do Livre», como acontece com o PCP, por exemplo”.

Para este autarca, o desafio comunicacional passa por mostrar que influência é que o Livre tem nas decisões de um executivo municipal de esquerda, liderado pelo PS: “Não se pode pôr uma papoila em cada banco que está na rua”.

O deputado municipal do Livre na Amadora, Hugo Lourenço, alertou que por vezes as redações, mesmo em Lisboa, não têm meios para cobrir concelhos da periferia — muitas vezes conhecidos “por coisas más” – e considerou que “os partidos têm uma nova função”, relatando o que aconteceu numa reunião municipal, como exemplo.

Ana Gomes de Almeida, deputada municipal em Gondomar, defendeu a proximidade junto dos eleitores, com idas a associações, como forma de uma maior implantação local: “A presença é uma forma de comunicação, em particular na política local”.

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