Familiares de presos entre 1974-1975 no Tarrafal subscrevem petição

Praia, 12 set 2026 (Lusa) – Familiares de presos no campo de concentração do Tarrafal, após a reabertura, em 1974, no período de transição política em Cabo Verde, subscreveram uma petição em que se queixam de omissão na história do espaço.

“A carta aponta para uma investigação histórica recentemente publicada, segundo a qual dezenas de cidadãos cabo-verdianos foram detidos e enviados para o Campo do Tarrafal, entre dezembro de 1974 e julho de 1975, sem condenação judicial e, em muitos casos, sem acusação formal”, lê-se num comunicado da Presidência da República cabo-verdiana, divulgado na sexta-feira.

A presidência divulgou a petição depois de ter recebido os subscritores.

As detenções aconteceram já depois da libertação dos presos do regime colonial português, que ali encarcerou mais de 500 pessoas e em que 36 morreram (32 portugueses, dois guineenses e dois angolanos), tal como documentado no agora Museu da Resistência, num espaço que está a ser candidatado a património da humanidade.

A petição queixa-se da omissão de referências aos presos entre 1974 e 1975 e a esta parte da história do campo, indicando que “a memória histórica não pode ser seletiva nem construída sobre silêncios”, segundo o comunicado da presidência.

O chefe de Estado de Cabo Verde, José Maria Neves, assumiu o compromisso de “encaminhar a exposição” às instituições responsáveis pelo museu e conteúdos “para que avaliem (…) a inclusão de informação contextualizada sobre as utilizações do espaço no período de transição política (1974-1975)”.

O Presidente cabo-verdiano defendeu “espaços de diálogo técnico e museológico”, face à petição pública.

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