
Nova Deli, 12 set 2026(Lusa) — O primeiro-ministro (PM) indiano apelou hoje aos países do bloco BRICS para transformarem a “pirâmide de privilégios” da governação mundial e propôs a elaboração de um roteiro com dez propostas de reforma até à próxima cimeira.
“A atual estrutura da governação mundial parece uma pirâmide. No topo concentram-se o poder e a tomada de decisões. E na base encontram-se os países que são afetados por essas decisões, mas não podem influenciá-las”, afirmou Narendra Modi na abertura da primeira sessão da cimeira de líderes, citado pela Efe.
A sessão plenária reuniu na sala principal do centro de convenções Bharat Mandapam, em Nova Deli, o Presidente chinês, Xi Jinping, o homólogo russo, Vladimir Putin, e o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, entre outros chefes de Estado do bloco.
Modi afirmou que o roteiro deve estruturar-se em torno de três eixos — representação, capacidade de resposta e elaboração de normas — para aumentar o peso das economias emergentes nas instituições internacionais.
“A reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas já não pode ser adiada”, sublinhou o chefe do Governo indiano, que pediu que as negociações sobre a reforma sejam associadas a prazos definidos e resultados concretos.
Modi defendeu também que o poder de voto, os cargos de liderança e as prioridades das instituições financeiras internacionais reflitam melhor o peso atual das economias que impulsionam o crescimento mundial.
A Índia, que exerce este ano a presidência rotativa do bloco, defendeu que os BRICS transformem o consenso interno em resultados concretos à escala mundial e que o Sul global deixe de se limitar a aceitar normas para participar também na sua elaboração.
“O Sul global encontra-se hoje na primeira fila das crises mundiais, mas na última fila da tomada de decisões”, afirmou Modi, antes de pedir que essa “pirâmide de privilégios” se transforme numa “plataforma de parceria”.
O primeiro-ministro insistiu ainda que os BRICS “não estão contra ninguém” e devem avançar integrando todos, uma formulação com a qual Nova Deli procura apresentar o bloco como uma plataforma de reforma do sistema internacional e não como uma aliança de confronto.
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