
Há 25 anos, o Canadá abriu as portas a milhares de pessoas que ficaram retidas no país depois de os Estados Unidos da America (EUA) encerrarem o espaço aéreo na sequência dos atentados de 11 de Setembro.
Em Gander, Newfoundland and Labrador, a resposta tornou-se um dos exemplos mais marcantes de solidariedade entre os dois países. Uma localidade com cerca de nove mil habitantes recebeu 38 aviões de passageiros e mais de 6.500 viajantes.
Entre as famílias que acolheram norte-americanos estavam Derm e Dianne Flynn, de Appleton, a poucos minutos de Gander. O casal recebeu seis passageiros numa casa com apenas três quartos.
Para os Flynn, ajudar foi uma reação natural perante uma situação de emergência. Vinte e cinco anos depois, continuam em contacto com alguns dos norte-americanos que acolheram. Um deles, do estado de New Jersey, regressa à região para assinalar o aniversário.
A história de Gander inspirou também o musical “Come From Away”, criado por Irene Sankoff e David Hein, que levou aos palcos o relato dos habitantes que receberam milhares de passageiros.
A solidariedade não ficou limitada a Newfoundland. Cerca de 33 mil passageiros terão sido desviados para diferentes pontos do Canadá. Na altura, o então ministro dos Transportes, David Collenette, recorda uma onda de apoio em que famílias abriram as suas casas, cozinharam e partilharam o que tinham.
Hoje, a recordação surge num contexto muito diferente. A relação entre Canadá e EUA está marcada por tensões comerciais, tarifas e críticas de parte a parte.
Para Derm Flynn, porém, a atual tensão política não apaga os laços entre as populações. Diz que os norte-americanos continuam a ser amigos e que, se a mesma situação acontecesse hoje, seriam recebidos com o mesmo respeito e compreensão.
Uma memória de 11 de Setembro que, 25 anos depois, continua a lembrar que a solidariedade pode ultrapassar fronteiras.



