Operação Marquês: Sócrates nega ligação à compra do apartamento de Paris

Lusa, 10 set 2026 (Lusa) – O ex-primeiro-ministro José Sócrates negou hoje qualquer ligação à compra e às obras do apartamento onde viveu em Paris, no seu regresso ao julgamento do processo Operação Marquês.

Durante a sessão de hoje, José Sócrates decidiu falar sobre a compra do apartamento em Paris pelo amigo e também arguido neste processo Carlos Santos Silva: “Não sou, nunca fui proprietário de nenhum apartamento em Paris”, repetiu várias vezes perante o coletivo presidido por Susana Seca, no tribunal de Lisboa.

José Sócrates explicou que não sabia sequer da intenção que Carlos Santos Silva tinha de comprar um apartamento em Paris, tendo ficado a saber que o amigo tinha uma nova casa quando comentou com ele que tinha de sair da casa que tinha arrendado em conjunto com a prima Maria Filomena.

“O Carlos Santos Silva disse que podia ficar lá [no apartamento novo] até começarem as obras”, apontou, detalhando ainda que não participou na reunião em que foi assinado o contrato de promessa compra e venda, nem no dia em que foi assinada a escritura.

Na acusação do Ministério Público é referido que José Sócrates estava em Paris a 31 de agosto, dia em que foi assinada a escritura e terá comprado vários móveis, alegadamente para mobilar a tal casa comprada por Carlos Santos Silva.

O antigo primeiro-ministro recusou tal acusação, explicando que a ida a uma loja de móveis teve como objetivo comprar objetos que tinham ficado danificados durante a sua estadia no apartamento arrendado e que essa visita e as contas foram divididas com a prima.

“Comprámos dois candeeiros e um pequeno sofá. Comprei ainda uma secretária que ainda hoje tenho e de que gosto. Gastei sete mil euros”, referiu.

Durante a sessão de hoje, José Sócrates disse ser “acusado de tudo desde as guerras púnicas” e acrescentou que vai continuar o seu depoimento no próximo dia 15 de setembro, a partir das 10:15.

O antigo primeiro-ministro socialista é um dos 21 arguidos deste processo e responde, entre outros crimes, por três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o ‘resort’ algarvio de Vale do Lobo.

 

RCV // FPA

Lusa/Fim